
25/08/2022
Na rodovia que leva à entrada principal do Parque Estadual do Juquery há cheiro de queimado. Colunas de fumaça despontam nos arredores. Tudo, por sorte e pelo menos por enquanto, fora do último fragmento de cerrado da região metropolitana de São Paulo, vítima de um incêndio brutal que, há um ano, consumiu mais da metade de sua área.
"Tem fumaça no horizonte." Esse é um dos alertas que circulam nos rádios do parque do Juquery. Quando o aviso vem, inicia-se a verificação de onde está o fogo.
Na tarde da última quinta (18), do alto do oscilante mirante do parque, via-se uma coluna de fumaça branca no horizonte, ao lado do Morro Ovo da Pata, uma das atrações da área protegida.
"Está longe", diz Francisco Honda, gestor do parque. O aviso tinha partido de um dos vigilantes que circulam de moto dia e noite pela área protegida.
O parque é cercado pelo fogo, principalmente o que vem dos céus, mais especificamente de balões. Um desses objetos voadores foi a fonte do grande incêndio do ano passado. Segundo Honda, só neste ano 54 balões entraram no parque e tiveram que ser "resgatados".
O "resgate" significa, basicamente, perseguir o balão e evitar que ele toque o chão e cause um princípio de incêndio. E isso, logicamente, nem sempre é possível.
Perto de completar um ano do incêndio anterior, na noite do dia 4 para 5 de agosto, um balão caiu dentro do parque e as chamas se iniciaram. A ação da equipe foi rápida o suficiente para somente cerca de 1 hectare queimar antes de as chamas serem controladas.
O trabalho de perseguir balões é responsabilidade dos vigilantes motorizados do parque. As motos receberam adaptações para carregar as "vassouras de bruxa", abafadores com hastes longas para combater rapidamente pequenos focos de fogo. Marco de Araújo é um dos perseguidores de balões.
"Eu já perdi [a conta]. Já catei muito balão, acima de 50", diz o vigilante, que trabalha há cinco anos no parque. "Final de semana é terrível." Os meses de junho, julho e agosto costumam ser os de maior preocupação para a queda de balões, que, na maior parte das vezes, são de pequeno porte —mas, ainda assim, potenciais causadores de incêndios.
Araújo mora nos arredores. Quando o grupo de mensagens da área de proteção começa a apitar constantemente (o som, inclusive, é diferente), o vigilante diz que já corre para ver se é fogo e se a equipe de plantão precisa de ajuda.
Fabricar, vender, transportar ou soltar balões é crime ambiental, com possibilidade de pena de prisão de 1 a 3 anos e/ou multa.
Os balões chegam ao parque de diversas zonas da cidade, segundo Honda. Isso significa que não é um problema só da região em que o parque está, próximo aos municípios de Franco da Rocha e Caieiras.
O gestor da unidade de conservação diz que há um trabalho constante de educação ambiental com as pessoas da região, que são o principal público frequentador da área protegida.
E o contato com a população dos arredores é essencial para o parque, que também é ameaçado por outras fontes de fogo. Por exemplo, em um dos lados da área protegida há uma comunidade chamada Nova Era onde há, constantemente, queima de lixo.
Saiba mais na Folha de S. Paulo
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