
26/07/2022
Das 8,3 bilhões de toneladas de plástico virgem produzidas até o final de 2015, 6,3 bilhões de toneladas foram descartadas. A maior parte deste lixo plástico ainda está conosco, sepultada em aterros sanitários ou poluindo o meio ambiente.
Microplásticos foram encontrados no gelo marinho da Antártida, nas entranhas de animais que vivem nas fossas oceânicas mais profundas e na água potável em todo o mundo.
Na verdade, o resíduo plástico está tão difundido que pesquisadores sugeriram que poderia ser usado como um indicador geológico do Antropoceno.
Mas e se pudéssemos usar uma varinha mágica e remover todo o plástico das nossas vidas? Para o bem do planeta, seria uma perspectiva tentadora — mas descobriríamos rapidamente o quanto o plástico se infiltrou em todos os aspectos de nossa existência.
Será que a vida como conhecemos hoje é possível sem plástico? Os seres humanos usam materiais semelhantes ao plástico, como goma-laca — feita a partir da resina secretada pela fêmea do inseto Kerria lacca — há milhares de anos.
Mas o plástico como conhecemos hoje é uma invenção do século 20: o baquelite, o primeiro plástico feito a partir de combustíveis fósseis, foi inventado em 1907. Só depois da Segunda Guerra Mundial que a produção de plásticos sintéticos para uso fora das forças armadas realmente decolou.
Desde então, a produção de plástico aumentou quase todos os anos — de dois milhões de toneladas em 1950 para 380 milhões de toneladas em 2015. Se continuar neste ritmo, o plástico poderá representar 20% da produção de petróleo até 2050.
Hoje, a indústria de embalagens é de longe a maior usuária de plástico virgem.
Mas também usamos plástico de muitas maneiras mais duradouras: em nossos prédios, meios de transportes e outras infraestruturas vitais, sem mencionar nossos móveis, eletrodomésticos, TVs, tapetes, telefones, roupas e inúmeros outros objetos do cotidiano.
Tudo isso significa que um mundo totalmente sem plástico é irrealista.
Mas imaginar como nossas vidas mudariam se de repente perdêssemos o acesso ao plástico pode nos ajudar a descobrir como criar um relacionamento novo e mais sustentável com ele.
Nos hospitais, a perda do plástico seria devastadora.
"Imagine tentar operar uma unidade de diálise sem plástico", diz Sharon George, professora de sustentabilidade ambiental e tecnologia verde na Universidade de Keele, no Reino Unido.
O plástico é usado em luvas, tubos, seringas, bolsas de sangue, recipientes para amostras e muito mais.
Desde a descoberta da variante da doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) em 1996 — causada por proteínas defeituosas chamadas príons que podem sobreviver a processos normais de esterilização hospitalar —, instrumentos cirúrgicos padrão reutilizáveis foram substituídos por versões de uso único para algumas operações.
De acordo com um estudo, uma única cirurgia para retirada de amígdalas em um hospital do Reino Unido pode resultar em mais de 100 peças avulsas de resíduos plásticos.
Embora alguns cirurgiões argumentem que o plástico de uso único é utilizado em excesso nos hospitais, muitos itens médicos de plástico são essenciais atualmente, e vidas seriam perdidas sem eles.
Alguns itens de plástico do dia a dia também são vitais para proteger a saúde.
Camisinhas e diafragmas estão na lista de medicamentos essenciais da Organização Mundial da Saúde (OMS), e máscaras faciais — incluindo máscaras cirúrgicas e respiradores à base de plástico, assim como máscaras de pano reutilizáveis — ajudam a retardar a propagação do vírus causador da covid-19.
"Uma máscara que você usa para covid está relacionada à nossa segurança e à segurança dos outros", diz George. "O impacto de eliminar isso pode ser a perda de vidas, se você eliminar em grande escala."
Leia a matéria completa no g1
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