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Por que Brasil também deve se preocupar com ondas de calor na Europa

26/07/2022

A onda de calor que atinge a Europa Ocidental tem impressionado pelos contínuos distúrbios na vida cotidiana: impacto sobre corpo e saúde das pessoas, alta demanda por água e energia para resfriar ambientes numa época em que esses recursos estão pressionados, além de incêndios de difícil controle em florestas —um fenômeno agora presenciado em áreas urbanas.
Na quarta-feira (20), quando a temperatura em Londres atingiu o recorde de 40,3°C, os bombeiros locais tiveram o dia com mais chamados desde a Segunda Guerra Mundial.
Esta semana também marcou a primeira vez na história que os britânicos tiveram registros oficiais acima do patamar de 40°C.
O Met Office, o serviço meteorológico do Reino Unido, relaciona a presente onda de calor à mudança climática provocada pela ação humana global.
"As chances de observar 40°C no Reino Unido é dez vezes mais provável nas atuais condições do que sob um clima que não teve influência humana. A probabilidade de exceder 40°C em qualquer lugar do território britânico em qualquer ano tem aumentado rapidamente, mesmo com as promessas de redução de emissões [de gás carbônico]", diz Nikos Christidis, cientista do serviço.
A Europa Ocidental tem contribuído mais para a meta de cortar emissões de gases —crucial para deter o aquecimento global— em comparação com outros países desenvolvidos. Mas, como disse uma vez o ex-secretário-geral da ONU Ban Ki-moon, "a mudança climática não respeita fronteiras".
"Evidentemente é um equívoco achar que essa onda de calor é um processo local da Europa. Nós temos tido eventos de calor extremo acontecendo em todos os locais do mundo, especialmente durante os períodos de verão dos respectivos hemisférios", diz o cientista do clima e professor da UECE (Universidade Estadual do Ceará) Alexandre Costa.
No Brasil, os efeitos já estão sendo percebidos.
Nos últimos anos, situações incomuns foram relacionadas à mudança climática por especialistas: uma tempestade de areia no interior paulista, a maior enchente já registrada no rio Negro (AM) e capitais sob céu escuro em plena tarde por causa da fumaça de um incêndio na Amazônia.
Um relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) aponta que o semiárido brasileiro, que engloba boa parte do Nordeste e o norte de Minas Gerais, já enfrenta secas mais intensas e temperaturas mais altas, o que está acelerando o processo de desertificação.
Alexandre Costa afirma que a recente tragédia das chuvas em Pernambuco, que deixou quase 130 mortos entre o final de maio e o começo de junho, têm fortes evidências de relação com as mudanças climáticas.

A matéria na íntegra pode ser lida na Folha de S. Paulo

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