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O poder genético das árvores gigantes

26/07/2022

Em 2005, diversas árvores de pinheiro-amarelo com séculos de idade morreram de repente nos meus seis hectares de floresta na parte norte das Montanhas Rochosas, no Estado norte-americano de Montana.
Logo descobri que elas estavam sendo dizimadas por besouros-dos-pinheiros, uma praga que se infiltra nas árvores, do tamanho da ponta de borracha de um lápis.
No ano seguinte, a quantidade de árvores mortas cresceu exponencialmente. Eu me senti impotente e sofri com o luto de ver todas aquelas árvores gigantes que riscavam o céu morrerem à minha volta. Percebi que não havia nada que eu pudesse fazer.
Os besouros nativos eram a causa imediata, mas a razão por trás dessa mortalidade sem precedentes na minha região e ao longo das Rochosas eram os invernos, que não são mais tão frios como costumavam ser.
Quando me mudei para Montana, no final dos anos 1970, temperaturas de -34 °C ou até -40 °C eram comuns no inverno, às vezes por semanas a fio. A temperatura mais baixa já registrada em Montana é de -57 °C.
Mas, atualmente, as temperaturas mínimas de inverno raramente caem abaixo de cerca de -18 °C. E, quando caem, elas duram apenas um ou dois dias, o que não é suficiente, nem de perto, para controlar os besouros-dos-pinheiros, que produzem seu próprio anticongelante natural.
Por isso, em questão de três anos, mais de 90% da minha floresta havia morrido. Nós contratamos lenhadores para derrubar as árvores e levá-las de caminhão para uma fábrica, onde elas foram transformadas em polpa e, depois, em papelão.
Mas isso não foi tudo. Árvores estavam morrendo em todo o oeste da América do Norte. Entre 2006 e 2007, a Colúmbia Britânica, no Canadá, perdeu 80% dos seus pinheiros-da-praia adultos, que deixaram de ser um sumidouro de carbono (que absorve mais do que emite), para se tonarem fonte de carbono, que emite mais do que absorve.
As árvores continuam a morrer em todo o oeste norte-americano. Alguns anos atrás, 129 milhões de árvores morreram na Califórnia, nos Estados Unidos.
Assistir ao fim da minha floresta despertou em mim um interesse renovado pelo que estava acontecendo com as árvores em Montana e em outras partes do mundo. Por isso, comecei uma pesquisa sobre a vida e a morte de árvores e florestas, que já dura duas décadas.
As árvores limpam a nossa água, afetam o nosso clima, fornecem madeira para construção e oferecem fontes de sustento para nós e muitos dos animais que nos servem de alimento. De alguma forma, elas parecem até estar conectadas às estrelas.
Mas, mesmo assim, nós sabemos muito pouco sobre o seu papel no planeta.
Nós também não conhecemos a genética das árvores, especialmente os efeitos sobre o patrimônio genético do corte de virtualmente todas as árvores maiores e mais robustas para a extração de madeira ao longo de tantos séculos. E ainda não temos basicamente nenhuma ideia de como as árvores sobreviventes enfrentarão um mundo mais quente e seco.

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