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Conheça a nascente do Rio Carioca, que começa cristalino e limpo e chega com lixo e esgoto à Baía

12/05/2022

No alto da Floresta da Tijuca, nasce um rio cristalino que percorre bairros da Zona Sul até desaguar na Baía de Guanabara. Um rio histórico, que há séculos abastece parte da população do Rio e que compartilha com o povo da cidade o nome: Carioca. Mas também um rio que retrata o abandono com o passado e o meio ambiente.
Os repórteres Carlos de Lannoy e Júnior Alves percorreram o Rio Carioca, da nascente à foz, e conferiram de perto essa triste transformação.
Para preservar a nascente, no meio do Parque Nacional da Tijuca, não há trilha até a nascente. A equipe do RJ2 entrou na área de mata fechada acompanhada de guias.
Ao chegar na nascente, os monitores e todos os integrantes da equipe fazem questão de beber e molhar o rosto. Testes realizados pelo parque comprovam a alta qualidade da água.
A medida que desce, o rio vai ganhando força. Em mais de uma hora de caminhada, a água cristalina deixa a mata virgem e encontra o primeiro sistema de captação do Rio Carioca: a Banheira do Imperador.
Por uma trilha, a equipe cruza por antigas ruínas, como uma casa da época em que diversas fazendas ocupavam a área, provocando o desmatamento da floresta e a destruição de algumas nascentes.
Ainda dentro do parque, a água do carioca acelera e tem uma sequência de quedas. No meio das pedras, a água é desviada em tubulações para abastecer comunidades vizinhas.
Mais abaixo, chega-se à Caixa da Mãe D´Água, um reservatório do século 18 – uma prova que o rio é cheio de história. Era de lá que saía um aqueduto, hoje conhecido como Arcos da Lapa, que levava a água do Carioca até o Centro.
“No século 18, com a necessidade de aprimorar cada vez mais a chegada de água na cidade foi construída a passagem de água da Mãe D´água, junto disso o Aqueduto Carioca. Ele levava água do Rio Carioca até a ponta. Ele chegava ao Largo da Carioca, passando pelos Arcos da Lapa, ia abastecendo todas as pontes de chafarizes da cidade. Foi a maior obra de engenharia realizada na época”, explica Carlos Tavares, chefe do Parque Nacional da Tijuca.
O carioca passa por Santa Teresa, comunidade dos Guararapes, Cosme Velho, Laranjeiras, Flamengo e deságua na Baía de Guanabara.
Quando deixa a Floresta da Tijuca, a maior parte do rio é encanada e passa por baixo do asfalto.
O desperdício e os problemas do rio começam logo depois da Caixa da Mãe d´Água. Entre os Guararapes e o Cosme Velho, o curso do Carioca ganha um cheiro forte.
Vemos lixo e esgoto correndo a céu aberto.
O engenheiro Antonio Carlos Guedes lembra que, em meados de abril, um imenso buraco se abriu na Rua Cosme Velho, por problemas de drenagem do Carioca.
“Ali, é uma sequência de erro: um vazamento de água, uma drenagem deficiente, uma quebra do teto da galeria e o afundamento que foi descoberto na procura do vazamento. E isso, aquilo não aconteceu num dia. Aquilo vinha acontecendo. Talvez meses. Então, o que nós temos que fazer pra não ter mais problema ali é fazer uma video-inspeção em toda a galeria e um caça-esgoto, tirar o esgoto do Rio Carioca.”
No Cosme Velho, o lixo acumulado nas grades forma uma represa. Logo adiante, as águas correm por dentro de um canal que chega até a Baía de Guanabara. Na segunda-feira (2), o RJ2 mostrou a unidade de tratamento do rio na Praia do Flamengo estava sem funcionar havia quase um mês. Uma língua negra de esgoto podia ser vista do alto na água do mar.
“É, o rio, na nascente, ainda é um rio lindo, limpo (...) A partir de algum ponto, que a gente não tem como detectar, ele realmente está morto, porque não tem mais vida nenhuma. Não tem peixe, não tem mais nada", diz Luciana Falcão Lima, engenheira civil e integrante do Comitê de Bacias da Baía de Guanabara.
A concessionária Águas do Rio anunciou que o Carioca, que hoje carrega lixo e esgoto, foi desviado esta semana para o interceptor oceânico.
Luciana Falcão teme que a medida faça os cariocas esquecerem o rio que deu nome aos seus habitantes.
"Eu acho que, assim, a curto prazo foi uma solução importante para resolver o problema do esgoto que estava saindo na Baía de Guanabara, mas é uma solução que não resolve o problema do Rio Carioca porque ele vai ligar no interceptor oceânico como se o rio fosse um esgoto. Então, ele vai tirar o esgoto da Praia do Flamengo, mas a poluição do Rio Carioca continua. Então, o importante é não esquecer que existe um rio histórico, que é o primeiro rio que abasteceu a cidade do Rio de Janeiro, que é importante que ele seja despoluído, que ele volte às condições normais ou, pelo menos, melhores que atualmente", diz Luciana.

Fonte: g1

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