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Biodiversidade brasileira pode gerar novo tratamento anticâncer

21/11/2019

Uma parceria internacional entre a Universidade Federal do Ceará e a Universidade Nacional da Austrália (ANU) pode resultar em uma nova possibilidade de tratamento anticâncer. Com base na exploração do potencial terapêutico de moléculas originárias da biodiversidade brasileira, a pesquisa tem como foco a inibição de células de linhagem leucêmica e de tumores provenientes do câncer de próstata.
O estudo, nascido da atuação conjunta entre os Programas de Pós-Graduação em Química e em Farmacologia da UFC, por meio do Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM), avalia como as moléculas chamadas pterocarpano e pisosterol atuam para bloquear o crescimento e a proliferação de células neoplásicas (que sofreram alteração no código genético por conta da doença, perdendo suas características originais).
O avanço do câncer e a invasão tumoral podem estar relacionados à superexpressão do gene c-MYC: a amplificação desse gene é um dos fatores determinantes da malignidade do tumor. O potencial das moléculas em estudo está justamente no fato de poderem interferir na expressão do gene c-MYC.
Tanto o pterocarpano quanto o pisosterol já eram objeto de estudo na UFC, e as análises comprovavam a capacidade antitumoral das moléculas. A partir da parceria internacional, a pesquisa passará à fase de aplicação in vivo, com um modelo estabelecido na instituição australiana que replica a leucemia mieloide aguda em animais e permite validação da atividade das moléculas.
“[O modelo] usa células geneticamente modificadas dos animais, que expressam proteínas alteradas e translocações [anomalias] comuns nas leucemias humanas”, explica a doutoranda em Farmacologia Sarah Maranhão, cujo estudo com o modelo foi realizado durante doutorado na Austrália, como parte da cooperação internacional estabelecida. “Quando você faz o tratamento do animal com algumas substâncias, você consegue avaliar como a molécula está agindo naquela doença.”
A ideia é não só validar as moléculas em modelo animal, mas também realizar transferência de conhecimento entre as duas instituições, uma vez que a ANU, no âmbito do John Curtin School of Medical Research, é referência nesse modelo de leucemia, o qual poderá ser implementado no Brasil.
“É um modelo nunca estabelecido no País, e nosso laboratório pode se tornar pioneiro na em sua implementação por essa transferência de tecnologia. Dispomos de um biotério de referência que nos permite fazer isso”, lembra a Profª Cláudia do Ó Pessoa, pesquisadora do Laboratório de Oncologia Experimental (LOE), do NPDM, onde a pesquisa é realizada.
Característica marcante desse estudo é o fato de tanto o pterocarpano quanto o pisosterol serem moléculas isoladas de produtos da biodiversidade brasileira. O primeiro é proveniente da planta Platymiscium floribundum, conhecida pelos nomes populares de sacambu e jacarandá-do-litoral, típica dos ecossistemas caatinga, cerrado e mata atlântica.
Já o pisosterol é isolado do fungo da espécie Pisolithus tinctorius, comum em diversas partes do Brasil. Sua proliferação está associada a culturas de eucalipto, ocorrendo normalmente em época de chuva. A caracterização da molécula já era feita no Departamento de Química, e o potencial anticâncer passou a ser descoberto com o início da parceria com a Farmacologia.

Para saber mais, acesse a Agencia UFC

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