
21/11/2019
Novas análises encomendadas pelo Ministério da Agricultura mostram que peixes, lagostas e camarões pescados no Nordeste são seguros para o consumo, já que apresentam níveis baixos da substância que poderia ser considerada um indicativo de contaminação por petróleo.
Os testes foram feitos a pedido do ministério pelo Laboratório de Estudos Marinhos e Ambientais (LabMAM) da PUC-RJ e divulgados nesta terça-feira (19).
Segundo a pasta, os valores de Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos (HPAs) encontrados em todas as 20 amostras testadas estão abaixo dos níveis de preocupação definidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Por isso, o consumo dos pescados não representa um risco para a saúde, apontou o ministério em nota.
A análise foi feita com peixes, lagostas e camarões coletados em 11 localidades de 4 estados (Rio Grande do Norte, Ceará, Bahia e Pernambuco). Foram analisados seis tipos de peixes (Ariacó, Budião, Dourado, Garoupa, Pargo e Saramonete), dois tipos de lagostas (Verde e Vermelha) e dois de camarões (Rosa e Sete Barbas).
As manchas de óleo que atingem o litoral brasileiro já afetaram mais de 650 localidades, segundo o último balanço do Ibama, publicado nesta terça. Há registro de manchas de óleo nos 9 estados do Nordeste – Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe – e também no Espírito Santo. O óleo já atingiu quase 70% dos municípios do litoral nordestino desde o início do desastre, no final de agosto.
Em entrevista ao G1 o biólogo marinho Mark Whittington, que esteve no Brasil participando de análises dos impactos do óleo nos pescados, disse que "não espera que haja impactos nos peixes devido ao tipo de petróleo envolvido no vazamento".
Especialista em analisar impactos de vazamentos de óleo na pesca, Whittington é da Federação Internacional de Poluição por Petroleiros (ITOPF, na sigla em inglês), organização especializada em identificar e prevenir vazamentos de petróleo causados por petroleiros que foi procurada pelo governo brasileiro no início do desastre.
Para o analista, os principais impactos na pesca devem ocorrer por meio da contaminação de barcos pesqueiros e equipamentos de pesca.
"No entanto, a escala e a extensão dos impactos precisam ser confirmadas à medida que obtemos mais informações", afirma.
Fonte: G1
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