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Participantes do Sínodo criticam atividades ´predatórias´ na Amazônia, diz Vaticano

10/10/2019

Um dos temas que mais aparecem nos debates do Sínodo dos Bispos sobre a Amazônia na (8), de acordo com o Vaticano, são as atividades chamadas de “predatórias” na floresta amazônica. Entre elas, o desmatamento, a mineração e a agropecuária exercidos de forma ilegal, principalmente em terras indígenas. Trata-se de um modelo de “extrativismo” desregulado, segundo um resumo oficial da Santa Sé.
Em entrevista à imprensa, o cardeal peruano Pedro Ricardo Barreto Jimeno, Arcebispo de Huancayo, no Peru, disse que essas são preocupações de longa data dos membros da Igreja Católica na Amazônia. “Muitos indígenas nos contam que nem os políticos nem a sociedade têm tempo para ouvi-los. É aí que entra a Igreja”, comentou.
O Sínodo é uma reunião do Papa com bispos, religiosos, cientistas, especialistas e representantes de comunidades indígenas, além de membros de outras religiões. Neste caso, o tema é a presença da Igreja na Amazônia, assim como problemas ambientais e sociais da região. O Sínodo foi aberto pelo Papa no domingo (6).
Nesta fase inicial do Sínodo, os participantes fazem breves discursos de quatro minutos cada e podem levantar qualquer temática na assembleia. O Vaticano não divulga quem foi o participante que tocou em cada tema nem divulga a íntegra dos discursos.
O G1 questionou o Vaticano sobre o papel da Igreja nas discussões sobre a possibilidade de se realizarem atividades econômicas em terras indígenas, como a mineração – proposta para a qual o governo do presidente Jair Bolsonaro vem acenando no Brasil. Em sua ida às Nações Unidas, Bolsonaro levou a jovem indígena Ysani Kalpalo na comitiva presidencial, gesto que foi repudiado por lideranças indígenas, e leu uma “carta de índios produtores rurais”.
Segundo o cardeal Barreto, propostas parecidas estão aparecendo em todos os nove países da região amazônica. Ele completou dizendo que é função da Igreja denunciar situações de “exploração irracional dos recursos e maltrato das pessoas”, o que inclui ouvir as comunidades indígenas.
“Como qualquer pessoa, os indígenas não são perfeitos, mas posso dizer que temos contato com representantes de todos eles”, disse o arcebispo, vice-presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam). “Não há uma bandeira política única [entre os índios], mas os indígenas amazônicos estão bem organizados e a Igreja está próxima a eles.”
A antropóloga Moema Maria Marques de Miranda, membro do grupo Rede Igreja e Mineração e participante do Sínodo como auditora, respondeu que “a questão do uso econômico da floresta não está em discussão, mas sim que modelo e de que forma” isso pode ser feito.
Segundo ela, a produção e o comércio de produtos como a castanha e o açaí pode ser bastante rentável para os indígenas e permite a distribuição da renda. “Com a agropecuária é o contrário, você tem uma concentração dos recursos. Quanto à mineração, nunca vi um lugar onde a chegada de uma mineradora trouxe benefícios para a comunidade local”, disse a especialista.

Saiba mais no G1

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