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Fundação Parques e Jardins tem quatro mil mudas para plantar no Rio

22/08/2019

A comoção que causa o corte de uma árvore só é comparada à de quando se vê bicho sendo maltratado na rua. E assim, ontem, fui recebendo mensagens de pessoas aqui do bairro onde moro (Laranjeiras) indignadas com a retirada simultânea de duas espécies muito frondosas.
"Deixaram só o toco! Eu fui lá, reclamei, um vizinho veio me dizer que eu estava errada, me xingou. Foi uma confusão danada. Mas é um absurdo o que estão fazendo! Retirando nossa respiração, nosso verde, nossas sombras. Quando chegar o verão é que vão ver no que vai dar", desabafou uma vizinha.
Passei pelo local. De fato, há três tocos muito próximos uns dos outros, como a repórter Alba Valéria, aqui do G1, já registrou. Além de enfear bastante o cenário, causa uma legítima preocupação.
Fiz as fotos e segui adiante, refletindo sobre o que já sabemos, depois de ouvir vários especialistas, que esta é uma das grandes encrencas no cenário urbano. Lembro-me bem de um texto que escrevi com ajuda de vários autores, em que um deles me desenhou o que parece óbvio mas que fica nublado diante da emoção de ver um ser vivo sendo decepado: "Árvores nascem, crescem e morrem. Quando morrem, precisam ser retiradas. É difícil as pessoas entenderem isso".
Sim, é difícil. Eu mesma já estava indignada demais com os três tocos de árvore tão próximos que havia visto. Conversei com os funcionários da Comlurb, e eles me disseram o que dizem sempre: são árvores que trazem algum tipo de risco até à vida das pessoas e precisam ser cortadas. A minha indignação, no entanto, foi bastante arrefecida quando, passando de ônibus em frente ao Palácio Guanabara, que fica na rua Pinheiro Machado, o motorista estancou e saiu correndo do veículo para ajudar porque um pouco mais adiante uma árvore tinha caído sobre um táxi.
Fiz a foto da confusão. Não estava nem ventando, para culpar o evento pela queda da árvore. Felizmente nada de grave aconteceu à família que estava dentro do táxi. O carro teve perda total, mas o seguro deve pagar. Seguimos, o motorista deu marcha-à-ré, pegou a outra pista, fez um caminho alternativo. Deixamos para trás, como não podia deixar de ser, um nó no trânsito. Ainda bem que era um domingo, dia de menos movimento.
A indignação, portanto, precisa contemplar todos os fatos que envolvem a questão.
Hoje pela manhã, ainda com a cena da árvore sobre o carro, consegui conversar com o novo presidente da Fundação Parques e Jardins, Fernando Gonzalez. Ele estava em Campo Grande, participando de um evento de plantação de mudas, e me contou que o Rio está com este problema, em grande parte, porque houve há cerca de trinta, quarenta anos, fícus e amendoeiras, os grandes inimigos de calçadas e fiações, foram plantados por cidadãos, sem nenhum estudo.

Leia mais no G1 / Blog Amelia Gonzalez

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