UERJ UERJ Mapa do Portal Contatos
Menu
Home > Atualidades > Notícias
Análises confirmam presença de partículas de queimadas maior do que o normal em água de chuva preta de SP

22/08/2019

Análises técnicas feitas por duas universidades mostraram que a água da chuva de cor escura, coletada por moradores de São Paulo nesta segunda-feira (19) após nebulosidade forte encobrir a cidade, contém partículas provenientes de queimadas. Nas redes sociais, moradores da Grande São Paulo postaram fotos da água da chuva escura.
O teste feito pelo Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP) identificou a presença de reteno, uma substância proveniente da queima de biomassa e considerada um marcador de queimadas, na água da chuva coletada na segunda-feira.
Já o exame realizado pela Universidade Municipal de São Caetano (USCS) mostrou que a concentração de material particulado, ou seja, de fuligem, foi sete vezes maior do que a registrada na água de uma chuva normal.
A fumaça das queimadas atingiu as nuvens de chuva que já estavam sobre a cidade na segunda-feira. A fuligem, que viaja a uma altura maior do que o material particulado proveniente da poluição comum, foi então absorvida pela nuvem - dando origem à chuva "preta", segundo Theotonio Pauliquevis, físico e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
"As nuvens de chuva ficam de 1,5 km a 10 km do solo. Quando a poluição parte do nível de superfície e vem de carros ou fábricas, ela fica presa embaixo das nuvens, formando uma camada visível, mais escura, no horizonte", explica. "Aí, quando a água cai, ela bate nas partículas e a enxurrada leva essa poluição comum."
"Já a nuvem de fumaça viaja a cerca de 3 km ou 4 km do solo. Ela bate de frente com a nuvem de chuva, que absorve a fuligem e forma essa espécie de gosma que dá origem às nuvens escuras e avermelhadas e também à chuva ´preta´, mais escura que o normal", diz o pesquisador, que estuda a composição química da chuva na Amazônia em períodos de queimadas.
Enquanto os pesquisadores da USP analisaram a identificação de reteno, que é um marcador de queimadas, a análise da USCS verificou quantidade de fuligem 7 vezes mais que o normal e a presença de sulfetos 10 vezes superior à média. A substância é proveniente da queima de combustíveis fósseis e queimadas.
"Se eu estou com 7 vezes mais do que deveria ter, eu tenho nessa água substâncias químicas que podem afetar a saúde. Agora a gente vai ter que investigar o que que é isso", diz Marta Marcondes, bióloga e professora da linha de pesquisa de saúde e meio ambiente da USCS.
Marcos Buckeridge, diretor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP), diz que a fuligem proveniente das queimadas também pode conter substâncias tóxicas aos seres humanos. "Se nós tivéssemos recebido a fumaça sobre a cidade, sem a presença de uma frente fria que trouxe chuva, isso poderia ter um efeito muito pior nas pessoas", diz.
A meteorologista Beatriz Oyama, do Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema), explica que as nuvens de chuva podem acumular o material particulado que se encontra na atmosfera.

Leia mais no G1

Novidades

Há 60 anos, Edifício Itália antecipou arquitetura sustentável

26/02/2026

Com a emergência climática ameaçando cidades em todo o mundo, muitas soluções de arquitetura estão s...

Curitiba tem déficit de mais de 260 mil árvores, aponta levantamento; saiba como solicitar plantio na sua rua

26/02/2026

A arborização nas ruas de Curitiba é composta por cerca de 318 mil árvores. Mas um levantamento da p...

Urubu é flagrado atacando ninho de araras em Campo Grande

26/02/2026

Um morador de Campo Grande flagrou um urubu devorando filhotes de araras no alto de uma árvore, na A...

Brasil tem 2,6 mil municípios em risco de desastres naturais

26/02/2026

O Brasil tem 2,6 mil cidades têm risco alto ou muito alto para desastres naturais – como seca, inund...

Monobloc: a cadeira mais vendida do mundo também é alvo de críticas ambientais; entenda

26/02/2026

Sabe aquela cadeira de plástico que pode ser vista no show e na capa do disco do Bad Bunny, em mesas...