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Os microssapinhos menores que uma moeda e típicos do Brasil - e que ainda estão sendo descobertos

12/06/2018

De sua mais recente expedição a campo, em Andaraí (BA), na Chapada Diamantina, em novembro de 2016, o pesquisador Felipe Andrade regressou a seu laboratório na Unicamp (SP) com a 23ª espécie documentada de microssapinhos tipicamente sul-americanos - que proliferam sobretudo no Brasil e que ainda não são plenamente conhecidos dos cientistas.
A nova espécie é descrita pela primeira vez em artigo prestes a ser publicado no periódico científico Zootaxa, e Andrade descobriu que ela se difere das demais de seu gênero por ter pernas mais curtas, uma quantidade diferente de pares de cromossomos, um canto de notas mais rápidas e um tamanho ainda mais diminuto do que muitas de suas "colegas": os machos têm entre 12,8 mm e 14,8 mm, ou seja, são menores do que uma moeda de R$ 1.
Algumas espécies chegam a ter tamanho inferior a uma unha do dedo mindinho humano.
As pseudopaludicolas - como é chamado esse gênero de sapos minúsculos - despertaram nos últimos anos a atenção de pequenos grupos de cientistas por serem uma fauna tipicamente brasileira parcialmente inexplorada: é possível que existam pelo menos dez espécies ainda não documentadas, esperando para serem descobertas.
"Só nos últimos oito anos, foram encontradas 12 novas espécies, o que é muito surpreendente", diz Andrade, que já prepara, em sua tese de doutorado, a descrição de mais duas espécies e analisa os dados de uma terceira, para confirmar se ela é, de fato, nova.
Isso se deve tanto ao maior interesse dos cientistas quanto aos avanços tecnológicos na análise.
"A princípio, conseguia-se fazer só a análise da morfologia (aparência e tamanho) desses animais", explica Ariovaldo Giaretta, professor-associado da Faculdade de Ciências da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).
"Hoje, conseguimos também gravar os cantos (dos sapos para estudo acústico) com equipamentos digitais, fazer uma análise molecular cada vez mais rápida e barata e integrar essas três bases de dados para identificar novas espécies. A maior limitação atualmente é tempo e dinheiro para viagens. Mas não será surpresa se chegarmos a um número de 30 ou 35 espécies identificadas de pseudopaludicolas."

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