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Restauração da natureza alcança recorde de 252 milhões de hectares

03/11/2026

Ao redor do mundo, 149 países estão conseguindo recuperar 252 milhões de hectares de áreas naturais, um nível sem precedentes. Apesar disso, o ritmo ainda é insuficiente para cumprir as metas globais de recuperação de ecossistemas para 2030.
As informações são de um relatório das Nações Unidas publicado nesta quinta-feira (29), durante a COP17, cúpula das Nações Unidas sobre biodiversidade que acontece em Yerevan, na Armênia. A área total sendo restaurada ao redor do mundo é equivalente à da Argentina ou da Argélia.
"É a maior operação de restauração já documentada", celebrou Doreen Robinson, diretora adjunta da divisão de ecossistemas do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.
Em 2022, na COP15 da biodiversidade, os países se comprometeram com um acordo histórico, conhecido como Marco Global da Biodiversidade de Kunming-Montreal. O documento estabeleceu a missão de deter e reverter a perda de biodiversidade por meio do cumprimento de 23 metas até 2030.
O mais celebrado foi o compromisso de proteger 30% das terras, águas continentais e oceanos do planeta, conhecido como 30x30. Os países também prometeram restaurar um bilhão de hectares de áreas naturais, tornar a agricultura sustentável e pôr fim à exploração excessiva de espécies silvestres.
Os esforços de restauração registrados envolvem principalmente áreas terrestres, chegando a 232 milhões de hectares. É a metade da meta estabelecida para este tipo de ecossistema até o final da década, segundo a ONU.
As iniciativas alcançaram apenas 11 milhões de hectares em ecossistemas de água doce e 5,7 milhões de hectares no mar e na costa, de acordo com o relatório. O resultado está muito distante das metas estabelecidas para esses ambientes, que "estão se degradando em um ritmo especialmente rápido", advertiu a entidade.
O relatório destaca que as políticas de restauração criaram um milhão de postos de trabalho no setor. A meta é alcançar 32 milhões de empregos até 2030.
O ritmo dos esforços de restauração, no entanto, ainda precisa "triplicar" para alcançar as metas fixadas de um bilhão de hectares, segundo o relatório, que também pede um aumento considerável do financiamento, em particular o privado.
A China está muito à frente das demais regiões em termos de restauração terrestre, com 137 milhões de hectares, seguida por Mongólia, Cazaquistão e Etiópia.
Os Estados também se comprometeram a dedicar esforços para conter a perda de biodiversidade e proteger o planeta no âmbito da chamada Década das Nações Unidas da Restauração de Ecossistemas (2021–2030).
A COP17 sobre biodiversidade acontece até o fim desta semana na Armênia. Nações estão reunidas justmente para tentar corrigir o rumo de seus compromissos na área.

Fonte: Folha de S. Paulo

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