
03/11/2026
O forte El Niño em curso pode provocar cerca de 857 mil mortes relacionadas ao calor extremo em todo o mundo até março de 2027.
A estimativa é do Climate Impact Lab, grupo de pesquisadores ligado à Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, que atualizou suas projeções em uma nova ferramenta de monitoramento divulgada nesta semana.
O número é quase o dobro da estimativa anterior, de aproximadamente 451 mil mortes, apresentada pelos cientistas em setembro. A nova projeção considera o período desde o início do fenômeno, em junho de 2026, até março de 2027.
Do total estimado, cerca de 373 mil mortes devem ocorrer nos próximos seis meses, entre outubro deste ano e março de 2027.
O levantamento também aponta que o Brasil pode registrar aproximadamente 19 mil mortes relacionadas ao calor acima da média durante esse período.
Projeções mais atualizadas indicam que o fenômeno de 2026-2027 pode ser muito intenso, com 83% de chance de ser o mais forte já registrado desde 1950.
Com isso, a previsão é de que o número de mortes associadas às altas temperaturas fique acima da média em todos os meses da projeção.
O relatório mostra que os países do Sul Global devem concentrar a maior parte das mortes relacionadas ao calor nos próximos seis meses.
Entre os países com as maiores projeções estão Nigéria, com cerca de 56 mil mortes, Índia, com aproximadamente 55 mil, e Indonésia, com 29 mil.
O Brasil também aparece entre os países afetados, com uma estimativa de cerca de 19 mil mortes adicionais relacionadas ao calor entre outubro de 2026 e março de 2027.
As projeções refletem não apenas a exposição às altas temperaturas, mas também diferenças na vulnerabilidade das populações e na capacidade de adaptação de cada região.
De acordo com o Climate Impact Lab, dois fatores principais explicam o aumento em relação à projeção divulgada em setembro.
O primeiro é a inclusão de março de 2027 no período analisado, o que permite considerar mais meses de duração dos impactos do El Niño.
O segundo é a substituição das previsões de temperatura de agosto e setembro pelos dados efetivamente observados nesses meses. As temperaturas registradas foram mais altas do que as inicialmente projetadas.
➡️Agosto de 2026 foi o mais quente já registrado para o mês, enquanto setembro ficou em segundo lugar no ranking histórico, segundo os dados considerados pelos pesquisadores.
A atualização foi acompanhada pelo lançamento de um rastreador que permite visualizar a distribuição geográfica dos impactos do calor associado ao El Niño.
A ferramenta apresenta estimativas mensais de mortes em cerca de 3,7 mil regiões administrativas – como estados e províncias – de diferentes países. Também reúne os dados de mortes relacionadas ao calor desde o início do fenômeno, em junho.
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