
27/10/2026
Quase todos os recifes de coral de águas rasas do mundo, famosos por seu colorido e biodiversidade exuberante, estão classificados como criticamente ameaçados, mostra um relatório publicado na última quinta-feira (22) sobre o colapso de ecossistemas.
O estresse térmico provocado pela mudança climática é, de longe, o principal vetor, segundo especialistas que elaboram a Lista Vermelha de Ecossistemas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês).
Essa foi a primeira avaliação global do grupo sobre ecossistemas de recifes de águas rasas. Os cientistas agruparam os recifes em 127 regiões, com base na localização e nas espécies únicas presentes em cada uma.
Eles constataram que 96% estão criticamente ameaçados, incluindo os da Grande Barreira de Corais, na costa da Austrália; do Triângulo de Coral, no Pacífico ocidental; do Sistema Arrecifal Mesoamericano, no Caribe; e da Flórida, nos Estados Unidos.
A classificação significa que eles enfrentam um risco extremamente alto de colapso nos próximos 50 anos. A IUCN define colapso como a perda quase total ou completa dos corais duros vivos, o que deixa os recifes incapazes de se sustentar.
Sem o aquecimento adicional previsto em decorrência das mudanças climáticas, 24% dos ecossistemas recifais estariam criticamente ameaçados, em vez de 96%.
Cientistas estimam que os recifes de águas rasas servem de habitat para cerca de um quarto das espécies oceânicas em algum momento de seu ciclo de vida. Centenas de milhões de pessoas dependem desses ecossistemas para pesca de subsistência e para a proteção costeira.
Os pesquisadores da IUCN ressaltaram que os recifes ainda não estão perdidos. A conclusão se baseia na trajetória atualmente estimada das mudanças climáticas, considerando as emissões globais de gases de efeito estufa, provenientes sobretudo da queima de petróleo, gás e carvão. Se os países fizerem mais para desacelerar o aquecimento, o futuro dos recifes poderá melhorar.
"Há aqui uma janela de oportunidade pequena e cada vez mais estreita para evitar os piores desfechos, se agirmos rapidamente", disse Mishal Gudka, líder científico da avaliação e pesquisador da Universidade de Melbourne, Austrália.
A pesca excessiva e a poluição também ameaçam os recifes, e reduzir essas pressões ajudaria a torná-los mais resilientes.
Nos últimos anos, alertas sobre a capacidade dos recifes de coral de resistir às mudanças climáticas têm ficado cada vez mais contundentes.
Os corais construtores de recifes são animais minúsculos que formam estruturas de calcário e abrigam algas fotossintéticas em seus tecidos. Essas algas fornecem ao coral a maior parte de seus nutrientes. No entanto, sob determinadas condições de estresse, incluindo o calor excessivo, o coral expulsa as algas em um processo conhecido como branqueamento. Se as condições adversas persistem por tempo demais, o coral fica sem alimento e morrerá.
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