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Microplásticos na água podem gerar substâncias capazes de causar danos biológicos, aponta estudo

22/10/2026

Os microplásticos presentes na água podem ser quimicamente mais ativos do que se imaginava.
Um estudo publicado na revista científica "Nature" encontrou evidências de que essas pequenas partículas conseguem gerar, por conta própria, moléculas altamente reativas conhecidas como espécies reativas de oxigênio.
Essas moléculas podem danificar células e tecidos quando produzidas em excesso e já haviam sido associadas, em pesquisas anteriores, aos efeitos tóxicos dos microplásticos.
O novo estudo indica que esse processo pode começar na própria superfície dos microplásticos, a partir do contato com a água.
Plásticos costumam ser tratados como materiais relativamente inertes, uma das razões pelas quais são usados em embalagens, garrafas e outros produtos do dia a dia.
Quando se quebram em partículas muito pequenas, porém, a proporção de superfície exposta aumenta bastante.
Segundo o novo estudo, essa superfície pode participar de reações químicas capazes de produzir essas moléculas reativas.

➡️ O trabalho, contudo, não demonstra diretamente que a presença dos microplásticos na água cause doenças em pessoas.

O que os pesquisadores identificaram foi um mecanismo químico que pode ajudar a explicar danos observados em outros estudos.
Em comentário divulgado pelo Science Media Centre (SMC) Espanha, June-Woo Park, pesquisador do Centro de Pesquisa sobre Segurança Ambiental do Instituto Coreano de Toxicologia, afirmou que trabalhos anteriores já haviam relacionado essas moléculas aos efeitos tóxicos dos microplásticos.
Por isso, ainda segundo ele, o diferencial do novo estudo é mostrar como elas podem ser geradas.

“Este estudo é relevante porque fornece evidências científicas sobre o mecanismo pelo qual os microplásticos geram espécies reativas de oxigênio”, afirmou Park em comentário distribuído pelo SMC Espanha.

O especialista, que não participou da pesquisa, avaliou que os autores apresentaram dados suficientes para sustentar as conclusões.
Ele também destacou uma limitação: o trabalho analisou microplásticos, partículas menores que 5 milímetros, mas não investigou partículas ainda menores, os chamados nanoplásticos.
Segundo Park, isso é importante porque os nanoplásticos são considerados uma preocupação ambiental ainda maior em razão de seu tamanho e de sua capacidade de interagir com organismos.
Para o pesquisador, entender melhor essas reações pode ajudar tanto na avaliação dos riscos dos microplásticos quanto na criação de políticas para controlar esse tipo de poluição.

Fonte: g1

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