
20/10/2026
O desmatamento na Amazônia Legal no último ano caiu 42% e chegou ao menor valor já registrado em quase quatro décadas. A taxa foi de 3.335 km², o equivalente a pouco mais que o dobro da área da cidade de São Paulo. Até então, o menor valor da série era o de 2012, quando atingiu 4.571 km².
No cerrado, foram 5.516 km² de vegetação nativa perdida —quase uma Brasília inteira—, redução de 24% em relação aos 12 meses anteriores. Essa foi a terceira queda consecutiva no bioma, e também é o valor mais baixo da série histórica, iniciada em 2013.
Os dados, divulgados nesta sexta-feira (16), são do sistema oficial de monitoramento do desmate no país, o Prodes (Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite), do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).
Os valores são para o agregado de 1º de agosto de 2025 a 31 de julho de 2026 —o período de agosto a julho é referência para a mensuração da derrubada da floresta no Brasil.
Os números dos últimos quatro anos demonstram o sucesso da retomada das políticas de combate à destruição ambiental sob a tutela de Marina Silva (Rede), que voltou a chefiar o MMA (Ministério do Meio Ambiente e da Mudança Climática) no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na amazônia, a queda foi de 71% entre 2022 e 2026; no cerrado, de 48%.
Entre as medidas destacadas por especialistas estão os novos planos de controle do desmate, lançados ainda em 2023; a recomposição de quadros de servidores e orçamento de órgãos de fiscalização; e as restrições financeiras a desmatadores, como o bloqueio do crédito rural.
"Essa conquista histórica é um patrimônio do povo brasileiro", disse a ex-ministra, que deixou a chefia da pasta ambiental para disputar uma vaga no Senado —ela não conseguiu se eleger. "Como principal fator de emissões de gases de efeito estufa no Brasil, o desmatamento se traduz em extremos climáticos cada vez mais intensos e frequentes, causando enchentes, deslizamentos de terra, ondas de calor e secas. Estes eventos tiram vidas, destroem casas, negócios, infraestruturas cruciais para as cidades e a própria economia."
Em quatro anos, foram 76 mil ações de fiscalização, mais de 15 mil autos de infração e R$ 11,8 bilhões de multas relacionadas à flora aplicadas pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente), segundo o MMA. O instituto embargou mais de 18 mil km² de áreas nesse período em razão de crimes ambientais.
Os embargos são um dos motivos pelos quais o Ibama se tornou alvo do Congresso Nacional, que avança com um projeto de lei para tentar reduzir o poder de ação do órgão de fiscalizar o desmatamento com base em imagens de satélite.
A atualização do Prodes é divulgada a nove dias do segundo turno das eleições, em que Lula disputa a reeleição com Flávio Bolsonaro (PL). Apesar de a pauta ambiental ter ficado fora do foco das campanhas, o aumento das queimadas no Amazonas desde setembro trouxe o assunto para os holofotes.
Nesta semana, João Paulo Capobianco, que assumiu a chefia do MMA após a saída de Marina, sobrevoou as áreas atingidas no estado. O ministro afirmou que as forças de segurança investigam relatos de que os incêndios florestais estariam sendo provocados de forma deliberada e organizada.
A reportagem na íntegra pode ser lida na Folha de S. Paulo
Correios passam a coletar eletroeletrônicos gratuitamente
20/10/2026
De local de tiro a santuário, arquipélago de Alcatrazes (SP) renasce dez anos após decreto
20/10/2026
Bagaço de cana dá origem a geis para limpar obras de arte
20/10/2026
De volta à natureza: aves, jabutis, ouriços e macacos vítimas de caça e maus-tratos são soltos no ES
20/10/2026
Ecoparques dão nova vida aos resíduos e reduzem emissões
20/10/2026
O rio cristalino que nasce de águas subterrâneas e atrai turistas de todo o mundo para MS
20/10/2026
