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Governo Trump quer ceder área do Parque Nacional de Yosemite a empreiteira

01/09/2026

O governo de Donald Trump propôs ceder, por meio de uma permuta, uma parcela de terra no Parque Nacional de Yosemite, na Califórnia, para que uma incorporadora privada possa obter acesso ao parque, segundo autoridades federais e documentos analisados pelo New York Times.
O possível acordo alarmou ambientalistas e ex-dirigentes do Serviço Nacional de Parques, que afirmam que Yosemite, a joia da coroa do sistema de parques do país, deve permanecer livre de empreendimentos imobiliários.
A proposta, cujos detalhes foram divulgados inicialmente pelo veículo de notícias NOTUS, prevê a transferência de uma pequena parcela situada logo após o limite oeste de Yosemite para uma empresa controlada pela Kingsbarn Realty Capital, uma gestora de fundos de private equity imobiliário. A Kingsbarn pretende construir uma estrada e desenvolver duas propriedades de 161 mil m² cada, de sua titularidade, próximas ao parque, segundo documentos apresentados ao Congresso neste ano e analisados pelo New York Times.
Em troca, a empresa compraria terras de valor equivalente, nas proximidades de Yosemite ou em outro local da Califórnia, e as transferiria ao Serviço Nacional de Parques, mostram os documentos.
"Isso é tão absurdo que chega a dar náusea", disse Don Neubacher, ex-superintendente de Yosemite e atual integrante do conselho executivo da organização sem fins lucrativos Coalizão para Proteger os Parques Nacionais da América. Neubacher afirmou que uma proposta semelhante havia sido apresentada no início dos anos 2000. Ela foi rejeitada, primeiro pelo Serviço Nacional de Parques e, posteriormente, na Justiça.
A Kingsbarn comprou as duas propriedades próximas ao parque no início de 2024 por US$ 4 milhões, por meio de uma sociedade de responsabilidade limitada chamada Sanctuary at Yosemite, mostram os registros imobiliários. Jeff Pori, CEO da Kingsbarn, fez regularmente doações de pequeno valor à campanha presidencial de Donald Trump em 2024, totalizando mais de US$ 4.000, segundo registros de financiamento eleitoral.
Representantes da Kingsbarn não responderam a um pedido de comentário do New York Times.
Aubrie Spady, porta-voz do Departamento do Interior, órgão ao qual o Serviço Nacional de Parques está subordinado, afirmou em nota que nenhuma decisão final havia sido tomada.
"Qualquer proposta de permuta de terras ou de acesso que envolva áreas do Serviço Nacional de Parques estaria sujeita a todas as leis federais, normas e políticas departamentais aplicáveis, incluindo os processos obrigatórios de análise ambiental e comunicação ao público", disse Spady.
Yosemite é conhecido por suas enormes cachoeiras, sequoias imponentes e monólitos esculpidos por geleiras, como o Half Dome e o El Capitan. É um dos parques nacionais mais visitados do país e tem ficado ainda mais lotado do que o habitual desde que o governo Trump eliminou o sistema de reservas para o verão.
Nomeados políticos do Departamento do Interior discutem a proposta de permuta de terras em Yosemite há mais de um ano, tratando-a como prioridade máxima, segundo dois ex-dirigentes do Serviço Nacional de Parques que pediram anonimato por temerem retaliações.
O Departamento do Interior notificou o Congresso neste ano de que avaliava custear eventuais despesas relacionadas à permuta por meio do Fundo de Conservação de Terras e Águas. A medida provocou críticas de democratas, que disseram que o fundo foi criado para financiar programas de conservação em terras públicas.
Os dois senadores democratas da Califórnia, Alex Padilla e Adam Schiff, condenaram a proposta e disseram estar trabalhando com a Comissão de Apropriações do Senado para tentar barrá-la.
"Este é o governo mais corrupto da história", afirmou Padilla em nota. "O Fundo de Conservação de Terras e Águas existe para adquirir terras e direitos sobre terras a fim de proteger áreas naturais, recursos hídricos e o patrimônio cultural —e proporcionar oportunidades de lazer a todos os americanos."
Cicely Muldoon, que foi superintendente de Yosemite de 2020 até se aposentar, em fevereiro de 2025, afirmou que as permutas de terras deveriam proporcionar um benefício líquido ao Serviço Nacional de Parques, como a ampliação do habitat da fauna silvestre. Segundo ela, não está claro qual seria o benefício deste acordo para o público.

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