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Redes subterrâneas de fungos revelam dimensão invisível da vida

23/06/2026

As redes subterrâneas formadas por fungos, responsáveis por conectar plantas e microrganismos em uma complexa teia biológica, estão no centro de um esforço científico que busca incluir o reino Fungi nas estratégias modernas de conservação ambiental. Há alguns anos, pesquisadores decidiram medir a extensão total dessas estruturas ocultas sob o solo, conhecidas como a “rede mundial da madeira”, e os resultados revelaram uma dimensão surpreendente da vida invisível que sustenta os ecossistemas do planeta.
A pesquisa, publicada em julho do ano passado, mostrou que apenas nos 15 centímetros superficiais do solo, os filamentos fúngicos alcançam cerca de 62 quatrilhões de milhas de comprimento. Se reunidos em um único fio, eles seriam capazes de dar uma volta da Terra até o Sol aproximadamente 1 bilhão de vezes. Com base nesses dados, os cientistas criaram um mapa interativo do globo que permite visualizar a densidade dessa verdadeira computação biológica distribuída pelos diferentes ecossistemas do mundo.
Mais do que uma curiosidade científica, o levantamento integra uma iniciativa voltada à ampliação da proteção dos fungos diante do esforço global para conservar 30% das áreas terrestres de forma permanente. Segundo os pesquisadores, o mapa poderá ajudar a identificar regiões prioritárias para a preservação e a restauração dessas estruturas subterrâneas. Em artigo revisado por cientistas, eles apontam que menos de 10% dos agrupamentos mais densos das redes de fungos estão atualmente localizados em áreas oficialmente protegidas.
Embora a expressão “rede mundial de árvores” tenha se popularizado, eles observaram que a maior concentração dessas conexões ocorre em pradarias e zonas úmidas, e não em florestas. Entre os principais pontos críticos estão a estepe da Anatólia, o planalto tibetano, áreas preservadas das pradarias norte-americanas, os Everglades e as zonas úmidas de Sudd, na África. A explicação está na relação simbiótica entre plantas e fungos micorrízicos arbusculares: enquanto as plantas produzem açúcares por meio da fotossíntese e os compartilham com os fungos, estes fornecem água e nutrientes essenciais, como fósforo e nitrogênio. Como suas estruturas alcançam camadas mais profundas do solo do que as raízes de gramíneas e ervas, suas redes tendem a ser mais densas em pastagens do que em áreas florestais.
Essa parceria é considerada fundamental para ampliar a capacidade de armazenamento de carbono dos ecossistemas, um aspecto especialmente relevante diante das mudanças climáticas. Os dados também mostram que a agricultura intensiva reduz significativamente a densidade das hifas, os filamentos que compõem a rede fúngica. Além disso, apesar de mais de 8 mil espécies serem conhecidas por integrar essa teia subterrânea, praticamente nenhuma foi avaliada quanto ao risco de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza. Para os pesquisadores e para a Sociedade para a Proteção de Redes Subterrâneas (SPUN), essa lacuna representa um ponto cego na conservação global e reforça a necessidade de considerar tanto as populações de fungos quanto a densidade dessas redes na definição de novas áreas protegidas.

Fonte: CicloVivo

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