
21/05/2026
A ilha desabitada de Formicula é um habitat fundamental para as focas no Mar Jônico da Grécia. Por lá, suas águas cristalinas e rica biodiversidade marinha atraem turistas interessados em mergulho e observação da vida selvagem. Uma das principais atrações é a foca-monge-do-mediterrâneo (Monachus monachus), embora, ao que tudo indica, a própria não pareça muito interessada em ser vista.
A foca-monge-do-mediterrâneo é uma das espécies de foca mais ameaçadas do mundo. São grandes mamíferos marinhos que costumavam descansar em praias abertas para secar seus pelos, cujo aumento da atividade humana forçou muitos deles a se abrigarem em cavernas remotas.
Um estudo publicado na revista científica Oryx revelou que esses animais estão utilizando estruturas naturais incomuns durante o verão: pequenas câmaras em forma de cúpula, preenchidas por ar e acessíveis apenas por passagens submersas. Essas “cavernas de bolhas” escondidas podem funcionar como importantes áreas de descanso e proteção contra a presença humana.
Os cientistas já suspeitavam que as focas poderiam estar usando cavernas de bolhas, mas acreditava-se que o uso fosse apenas temporário. Classificadas como Vulneráveis pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), é de interesse dos pesquisadores entender o comportamento e aprimorar as medidas para protegê-las.
Em Formicula, os turistas tentam interagir com as focas e visitar as cavernas onde descansam e criam seus filhotes. No entanto, essa atenção humana, especialmente durante o verão, pode alterar seu comportamento natural e impedi-las de usar seus habitats preferidos.
Para entender a estratégia da espécie, os pesquisadores instalaram um sistema de monitoramento automático usando câmeras remotas online. Uma câmera foi colocada dentro da caverna principal, onde as focas haviam sido observadas anteriormente. A outra foi colocada dentro de uma caixa à prova d’água e posicionada na entrada da câmara inundada de uma caverna de bolhas adjacentes.
Essa configuração capturou imagens e vídeos ao longo de 141 dias, primeiro durante um curto período em julho de 2020 e depois durante um período mais longo, de junho a outubro de 2021.
Os resultados surpreenderam os pesquisadores. As focas utilizaram as cavernas de bolhas durante 119 dias, enquanto a caverna principal foi ocupada em apenas 30 dias. Dentro dessas estruturas escondidas, os animais foram observados descansando na superfície, dormindo verticalmente e até permanecendo imóveis no fundo do mar.”Essas cúpulas úmidas, menos acessíveis e discretas podem não apenas servir de refúgio contra a perturbação humana, mas também funcionar como locais de descanso”, explicaram os autores do estudo em seu artigo.
Os cientistas acreditam que o difícil acesso e a baixa presença humana tornam esses ambientes ideais para a sobrevivência da espécie. As descobertas apontam a necessidade de ampliar a proteção de habitats críticos da foca-monge-do-mediterrâneo na região.
Os estudiosos ainda sugerem que essas cúpulas cheias de ar podem oferecer um refúgio menos acessível, longe dos humanos, o que poderia explicar seu uso frequente. Segundo os pesquisadores, “estudos de adequação de habitat para a foca-monge do Mediterrâneo podem se beneficiar da inclusão de cavernas de bolhas, pois elas fornecem valiosos locais de descanso, especialmente em áreas turísticas.”
Com uma população reduzida e fragmentada, a foca-monge-do-mediterrâneo é uma das espécies marinhas mais raras do planeta. Atualmente, as ilhas do Mar Jônico são um dos três únicos locais conhecidos onde ainda existem populações reprodutivas da espécie.
Fonte: CicloVivo
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