
21/05/2026
A América Latina e o Caribe vivenciaram em 2025 uma série de desastres climáticos e ondas de calor que sufocaram suas populações. Apesar disso, a região não consegue contabilizar com precisão as mortes causadas por temperaturas extremas, alerta um relatório da OMM (Organização Meteorológica Mundial), braço meteorológico da ONU (Organização das Nações Unidas.
Lançado anualmente, o levantamento "O estado do clima na América Latina e no Caribe" foi apresentado nesta segunda-feira (18) em Brasília e registra um ano de recordes em quase todos os aspectos.
Chuvas torrenciais, com enchentes e deslizamentos de terra, atingiram diversos países, incluindo Peru, Equador, Colômbia, Venezuela e Brasil. O furacão Melissa devastou a Jamaica, causando perdas de mais de 40% do seu PIB.
Além disso, 85% do território mexicano foi afetado pela seca, enquanto as geleiras andinas, das quais dependem cerca de 90 milhões de pessoas, tiveram derretimento acelerado.
Ondas de calor recorrentes e intensas assolaram grande parte da região, com temperaturas acima de 45°C em diversas áreas.
O documento destaca que as altíssimas temperaturas representam um fardo crescente para a saúde pública. No entanto, a maioria dos países não publica sistematicamente dados sobre mortes relacionadas ao calor, e os impactos geralmente são inferidos a partir de análises do excesso de mortalidade.
A organização estima que cerca de 13 mil pessoas morrem anualmente na América Latina por causas relacionadas ao calor, com base em uma média feita com dados de 17 países entre 2012 e 2021. No entanto, a OMM alerta que os casos são subnotificados e, assim, o número é quase certamente uma subestimação.
"À medida que os eventos de calor extremo se intensificam, a mortalidade evitável só pode ser reduzida fortalecendo a cooperação entre as esferas de clima e saúde", afirma a entidade, ressaltando que há necessidade urgente em integrar alertas meteorológicos precoces aos sistemas de ativação da saúde pública.
O Brasil ilustra tanto a magnitude do problema quanto as limitações de países latino americanos e caribenhos. O Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) registrou sete ondas de calor ao longo de 2025.
Em fevereiro, o Rio de Janeiro atingiu 44°C e, em dezembro, São Paulo bateu seu recorde histórico com 37,2°C, a temperatura mais alta registrada em 64 anos de medições.
As escolas adiaram a volta às aulas e algumas pessoas buscaram alívio nas praias e em "refúgios climáticos" montados pelas autoridades municipais. As mortes diretamente atribuídas ao calor nesse período, porém, permanecem em grande parte invisíveis nas estatísticas oficiais.
A secretária-geral da OMM, a argentina Celeste Saulo, afirmou que o relatório é um chamado à ação.
"Ele nos insta a fortalecer as observações, investir em serviços, corrigir as deficiências nos sistemas de alerta precoce e garantir que as informações climáticas cheguem a quem mais precisa", declarou em um comunicado.
O Plano de Ação em Saúde de Belém, aprovado na COP30, conferência climática das Nações Unidas ocorrida em novembro, estabelece um roteiro para adaptar os sistemas de saúde à crise climática.
A OMM pediu que as soluções propostas sejam implementadas para reduzir os impatos da mudança do clima, em especial sobre as populações mais vulneráveis.
Fonte: Folha de S. Paulo
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