
26/03/2026
Algumas das migrações de animais mais longas e importantes do planeta acontecem embaixo d´água e muitas delas estão entrando em colapso rapidamente.
É isso o que aponta uma nova avaliação global lançada nesta terça-feira (24) durante a COP15 da Convenção sobre Espécies Migratórias (CMS), tratado ambiental da ONU que reúne 132 países e a União Europeia com o objetivo de proteger animais que cruzam fronteiras internacionais ao longo de seus ciclos de vida.
O encontro acontece em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.
O relatório estima que as populações de peixes migradores de água doce caíram cerca de 81% desde 1970, tornando esse grupo um dos mais ameaçados do planeta.
O documento identificou 325 espécies que precisam de ação coordenada entre países para sua conservação, além das 24 que já estavam listadas pela convenção.
🐟 Quase todas (97%) as espécies de peixes migradores já listadas pela CMS estão ameaçadas de extinção.
"Esta avaliação mostra que os peixes migradores de água doce estão em sérios apuros e que protegê-los exigirá que os países trabalhem juntos para manter os rios conectados, produtivos e cheios de vida", disse Zeb Hogan, biólogo e autor principal do relatório.
Segundo a ONU, o relatório, elaborado por especialistas da CMS com base em avaliações da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) de quase 15 mil espécies de peixes de água doce, é a análise mais abrangente já produzida sobre o tema.
O estudo detalha como o modo de vida dessas espécies as torna especialmente vulneráveis. Muitos peixes migradores, por exemplo, dependem de corredores fluviais longos e contínuos, que conectam áreas de reprodução, alimentação e berçários em planícies de inundação, muitas vezes atravessando diferentes países.
🏞️ Quando barragens, alterações no fluxo dos rios ou a degradação do habitat interrompem esses caminhos, as populações entram em queda acelerada.
Justamente por isso, a avaliação destaca que populações de animais que vivem em ecossistemas de água doce estão diminuindo mais rapidamente do que populações de animais terrestres e marinhos.
"Os rios não reconhecem fronteiras — e os peixes que dependem deles também não. A crise que se desenrola sob nossas vias fluviais é muito mais grave do que a maioria das pessoas percebe, e estamos ficando sem tempo", alerta Michele Thieme, vice-presidente do WWF-EUA e uma das autoras do documento.
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