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Índia lança nova meta climática com mais de um ano de atraso

26/03/2026

Mais de um ano depois do prazo original, a Índia divulgou a atualização da sua meta climática. Aprovada pelo governo nesta quarta-feira (25), a nova NDC (sigla em inglês para Contribuição Nacionalmente Determinada) promete reduzir a intensidade de emissões de gases de efeito estufa em 47% até 2035, em comparação com 2005.
A terminologia usada considera o crescimento econômico, ao fazer uma comparação de toneladas de carbono por unidade do PIB (Produto Interno Bruto). No caso indiano, permite que as emissões continuem crescendo, mas num ritmo mais lento.
Esse índice era comumente adotado pelos países em desenvolvimento, porém, o balanço climático global, de 2023, incentivou essas nações a também adotarem reduções absolutas em seus planos nacionais.
O Brasil, por exemplo, que também é um país emergente entre os maiores emissores globais de carbono, usa a métrica das emissões absolutas em sua meta.
O anúncio era esperado em fevereiro de 2025, data em que quase nenhum país entregou sua nova NDC. O braço climático da ONU (Organização das Nações Unidas), então, estendeu o prazo até setembro daquele ano. Mesmo assim, muitas metas só chegaram às vésperas da COP30, cúpula sobre mudança do clima que aconteceu em novembro, em Belém.
No texto em que divulga a atualização da NDC, o governo indiano afirma já ter cumprido com seu compromisso anterior, de reduzir a intensidade de emissões de seu PIB em 35% em relação a 2005 e de ter 40% de participação de energia não renovável em sua matriz elétrica até 2030.
"O país alcançou 52,57% de capacidade não fóssil (fevereiro de 2026) [de energia elétrica], cumprindo com sucesso a meta cinco anos antes do prazo, e agora a ambição foi elevada ainda mais, para 60% de participação de recursos energéticos não baseados em combustíveis fósseis na capacidade instalada de energia elétrica a ser alcançada até 2035", diz o comunicado.
Os indianos também prometem capturar de 3,5 a 4 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa por meio de cobertura florestal e arbórea na próxima década.
"Os esforços de reflorestamento e restauração de ecossistemas continuam a contribuir para as metas de sumidouro de carbono da Índia, ao mesmo tempo em que apoiam os meios de subsistência rurais", afirma o texto. O país prevê zerar suas emissões líquidas em 2070.
O coordenador de política internacional do Observatório do Clima, Claudio Angelo, ressalta que a Índia foi o último grande emissor a entregar sua NDC.
"Sabemos que os países ricos estão dando para trás na própria ação climática e que o financiamento, crucial para países com muitos pobres, como a Índia, não veio. Sabemos que os EUA estão fazendo bullying com o governo [Narendra] Modi por mais fósseis", pondera ele. "É verdade [também] que o país tem acelerado a adoção de energia renovável, e faz isso não por preocupações climáticas, mas porque é mais barato".
"Mas em 2026, com o aquecimento global a poucos anos de estourar a meta de Paris, a NDC indiana só pode ser chamada de ambiciosa se comparada com ela mesma. Infelizmente não é assim que a atmosfera mede ambição", avalia Angelo.
O ativista climático indiano Harjeet Singh, diretor-fundador da Satat Sampada Climate Foundation, afirmou que o plano do governo Modi é "um sinal claro de integridade e compromisso" num momento em que nações desenvolvidas recuam no tema.

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