
04/09/2025
O mar quando quebra na praia é bonito, diz a canção de Dorival Caymmi. Ninguém há de negar, mas quando a água invade a orla de forma descontrolada está mais para problema mesmo. Pistas alagadas, objetos carregados pelas ondas, areia no asfalto, pedestres, ciclistas e motoristas pegos de surpresa já são cenas corriqueiras no Leblon, na Zona Sul do Rio — a mais recente foi no dia 29 de julho. E a Barra da Tijuca, na Zona Oeste da cidade, parece seguir o mesmo roteiro rumo ao desastre: uma pesquisa do Laboratório de Geografia Marinha da UFRJ, publicada no último dia 22, alerta que, com a perda de dunas e área de restinga, o bairro corre risco de, em pouco tempo, se tornar a próxima vítima frequente desse tipo de estrago provocado pela natureza.
Os montes de areia às margens do calçadão da Barra são chamados de dunas frontais, que funcionam como uma barreira natural contra o avanço do mar durante as ressacas. As restingas, uma vegetação de Mata Atlântica, geralmente rasteira, por sua vez, retêm a areia das dunas, evitando que elas se dissipem. Nos últimos anos, porém, a degradação desses elementos pelo avanço da urbanização vem deixando a orla cada vez mais exposta. É o que observa Flavia Lins de Barros, pesquisadora, uma das autoras do estudo e professora do Programa de Pós-Graduação em Geografia da UFRJ. A especialista não descarta a possibilidade de, em um ano, episódios como os do Leblon impactarem a orla barrense.
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