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Esqueleto de Macaco Tião, morto há 29 anos, segue preservado por instituição de pesquisa em Guapimirim

10/06/2025

Ele recebeu quase 400 mil votos nas eleições para prefeito do Rio em 1988, o que lhe garantiu uma menção no Guinness World Records como o chimpanzé mais votado do mundo. Em 1996, sua morte foi notícia até na primeira página do francês Le Monde. Depois de se tornar um ícone carioca e divertir por anos os visitantes do zoológico, o Macaco Tião faz história agora na ciência. Seu esqueleto é um dos destaques do Centro de Primatologia do Rio (CPRJ), em Guapimirim, na Região Serrana.
Fundado em 1979 para atuar na proteção do mico-leão-dourado, o CPRJ se tornou um dos principais polos de proteção e estudo de primatas do mundo — incluindo o cuidado de animais ameaçados de extinção e resgatados em operações de fiscalização.
— O corpo do Tião veio para cá logo após sua morte. Na época, o corpo seria descartado, mas eu fiz questão de trazê-lo. Está com a gente até hoje — conta o médico veterinário Alcides Pissinatti, chefe do CPRJ, que se dedica há mais de cinco décadas ao estudo dos primatas.
Mantido pelo governo do estado, o centro abriga quase 400 animais de 30 espécies. Lá, eles são cuidados para que depois sejam reintegrados ao meio ambiente ou, em alguns casos, permanecem sob supervisão humana como forma de garantir sua sobrevivência. O local ocupa quase 270 hectares dentro do Parque Estadual dos Três Picos, sob administração do Instituto Estadual do Ambiente (Inea). No terreno, cortado por rios, árvores frutíferas dividem espaço com dezenas de outras variedades de plantas nativas.
É nesse cenário de grande riqueza biológica que o centro consolida o seu papel como uma referência internacional na proteção da fauna. Entre os anos de 2017 e 2019, uma epidemia de febre amarela resultou na maior mortalidade de primatas já registrada na Mata Atlântica — estima-se que cerca de 30% dos micos-leões-dourados morreram. Pissinatti calcula que quase 500 primatas foram vacinados em seu ambiente natural desde então.
— O impacto desse trabalho reforçou a relevância do trabalho científico feito e das ações de conservação conduzidas. Hoje, temos diversas instituições de ensino e pesquisa, no Brasil e no mundo, engajadas com a gente. Isso é muito relevante — afirma o veterinário.
Tião, um chimpanzé africano batizado em homenagem a São Sebastião, padroeiro do Rio, ficou famoso por seu comportamento provocador, atirando restos de comida — e até uma mistura de fezes com lama — em autoridades que visitavam o zoo do Rio. Adorado pelas crianças, ele foi o personagem de uma brincadeira da extinta revista de humor Casseta Popular, que ‘‘lançou’’ o macaco como candidato a prefeito. A piada pegou.
Numa época em que os eleitores ainda votavam em cédulas de papel, surgiram cerca de 400 mil cédulas com o nome de Tião escrito, uma espécie de voto de protesto dos eleitores. Se estivesse no páreo, o macaco teria ficado em terceiro lugar na disputa.
Tião morreu em 23 de dezembro de 1996, aos 33 anos, vítima de diabetes. O município decretou luto de três dias, com bandeiras da Fundação RioZoo hasteadas a meio mastro.

Fonte: O Globo

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