
26/09/2024
O ônibus é o meio de transporte mais utilizado pelos brasileiros para locomoção nas grandes cidades, sendo utilizado por cerca de 30% da população, segundo a Pesquisa CNT de Mobilidade da População Urbana, elaborada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT). Entretanto, o uso de carro próprio já corresponde a 29%. De 2017 a 2024, os deslocamentos com automóveis aumentaram, enquanto que com o transporte público diminuíram. À medida que as cidades continuam a crescer, é urgente repensar o desenho urbano de forma a priorizar meios de transportes mais sustentáveis.
Além do automóvel, também aumentou o uso de serviços de aplicativo de transporte. A tendência é optar por veículos individuais em busca de mais conforto, flexibilidade e menos tempo de viagem. Nestes termos, o automóvel é a escolha óbvia, mas não é a única. Aliás, a mesma pesquisa CNT revela ainda que entre os principais modais de locomoção estão o deslocamento a pé, moto e bicicleta: opções que podem ser melhores para o planeta e para a própria saúde.
Caminhar é de graça, não precisa de academia ou equipamentos e praticamente não tem nenhum impacto ambiental. É resumidamente a forma mais sustentável, saudável e social de se deslocar. O Project Drawdown, iniciativa que busca soluções para enfrentar a crise climática, calcula que se 5% das viagens de carros fossem feitas a pé, 2,9 gigatoneladas de CO2 deixariam de ser emitidas até 2050.
Além dos benefícios ambientais, a caminhada é um dos exercícios físicos mais fáceis de ser colocado em prática e até cinco milhões de mortes por ano poderiam ser evitadas se a população em todo o mundo fosse mais ativa, segundo a OMS.
Já de acordo com o Instituto de Ortopedia e Saúde, caminhar é ideal para trabalhar a função cardiovascular, melhorando o nível de condicionamento físico; para ajudar na perda de peso e fortalecer os músculos; para reduzir a pressão sanguínea, os níveis de colesterol no sangue, o risco de doenças cardíacas, osteoporose, diabetes e o estresse. De forma mais direta, um estudo recente aponta que, para idosos, a cada 500 passos adicionais por dia, o risco de problemas cardíacos e derrame é reduzido.
A experiência de caminhar em áreas mais arborizadas, ruas mais calmas em detrimento de grandes avenidas, ainda pode contribuir com a saúde mental. Andar e observar o bairro e seus detalhes do cotidiano fogem à regra da vida apressada, mas, quando possível, trazem ganhos incalculáveis. Caminhar pelo bairro é uma integração constante entre a comunidade.
Passeios, trajeto casa-trabalho, aventuras aos finais de semana e até longas viagens são possíveis com uma bicicleta. Pedalar ajuda a manter a saúde em dia e ainda é um meio de transporte sustentável, que não emite gases poluentes e ajuda a reduzir o número de automóveis circulando nas ruas. Assim como a caminhada, o uso de bicicleta promove maior contato com a natureza, com a vizinhança e todo o mundo que nos cerca.
Desde a pandemia, as bikes ganharam mais espaço nas cidades. Em 2020, o aumento de vendas de bicicletas no Brasil foi, em média, de 50% em comparação a 2019, segundo levantamento realizado pela Aliança Bike, que ouviu centenas de lojistas, fabricantes e montadores de todo o país. No pico de vendas, esse aumento chegou a 118%. A bicicleta ajudou a manter o distanciamento social nos deslocamentos e ainda contribuiu para aliviar o estresse em meio a tantas incertezas.
Mesmo com o fim do período e o desaceleramento nas vendas, a expectativa para 2024 é positiva. De acordo com a Aliança Bike, houve aumento no consumo de bicicletas de maior valor agregado, como as elétricas. Essa opção é benéfica sobretudo para quem busca um meio alternativo de locomoção para o trabalho, uma vez que longas distâncias, cansaço e até as altas temperaturas podem ser empecilhos para as pedaladas.
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