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´Floresta que já pegou fogo é mais suscetível a novos incêndios´, aponta projeto de restauração ecológica da USP no interior de SP

17/09/2024

Com cerca de 50 mil focos ativos de incêndios diários na primeira quinzena de setembro e uma estiagem severa, agravada pelas sucessivas ondas de calor em 2024, o Brasil está em chamas nas últimas semanas. O cenário preocupa especialistas do projeto de recuperação ecológica “Corredor Caipira: Conectando Paisagens e Pessoas”, uma vez que existe possibilidade de reincidência quando se trata de áreas florestais.
“A floresta que pegou fogo uma vez está mais suscetível a novos incêndios”, afirma o engenheiro florestal Girlei Cunha, consultor florestal do projeto sediada na escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), campus da USP (Universidade de São Paulo) em Piracicaba (SP).
De forma geral, é como se a vegetação florestal entrasse em um espiral de degradação, analisa o engenheiro agrônomo e coordenador técnico do Corredor Caipira, Henrique Ferraz de Campos. "Em vez de se recuperar efetivamente, a vegetação natural fica mais fraca e mais propensa a novos incêndios”, afirma.
“Essa piora das condições da vegetação natural pode resultar em mudanças de uso do solo, de vegetação natural para outro uso, como a agropecuária, por exemplo”, adverte Campos.
De acordo com Girlei Cunha, ao ser acometida pelas chamas, a floresta perderá biomassa e a vegetação durante o processo de regeneração natural e estará mais exposta a variações de temperatura e umidade do ar por anos ou décadas, até retomar a sua forma inicial, antes do fogo.
“Após um sinistro causado pelo fogo, ela vai apresentar uma condição de floresta mais aberta, com microclima alterado, mais exposta às variações de temperatura e de umidade do ar, que pode ressecar mais rapidamente tanto a serapilheira (camada superficial do solo) como o próprio solo”, explica.
Ainda, conforme o profissional do setor, há reflexos principalmente nas plantas dos estratos inferiores, que têm as raízes concentradas nas camadas mais superficiais do solo. "Essa serapilheira e as plantas do estrato inferior queimam mais facilmente”, pontua.
De acordo com Girlei Cunha, após um incêndio florestal, se uma árvore atingida pelo fogo não morrer, ela vai perder as folhas e parte de sua copa.
“Na nossa região, aumentará a incidência de cipós, principalmente das espécies que possuem órgãos de reserva subterrâneos. Estes cipós irão recobrir rapidamente as árvores atingidas pelo fogo”, diz.
Segundo o consultor do projeto, que tem patrocínio da Petrobras, se a árvore ainda estiver viva, ela sofrerá com a competição exercida pelos cipós, que crescem mais rapidamente, aproveitando o suporte fornecido pelos troncos e galhos das árvores.
“A competição será por luz, mas também por água e nutrientes do solo. Caso os cipós acabem dominando a copa da árvore, esta terá uma vitalidade menor e pode sofrer perda de parte da sua copa ou mesmo tombar, caso a biomassa dos cipós fique muito grande. Esse fenômeno não é raro, especialmente durante as ventanias”, diz.
O engenheiro agrônomo e coordenador técnico do “Corredor Caipira”, Henrique Ferraz de Campos, explica que, quando a floresta passa pelas chamas, o processo de recuperação depende de uma série de fatores, como:
🌳🌴vegetação nativa existente nos arredores da área afetada;
🌱🏞️características de seu solo, da disponibilidade hídrica;
📃🔥histórico da própria área, uma vez que locais com vegetação já degradada terão dificuldades ainda maiores para se recuperar.
A iniciativa sediada na Esalq/USP realizou um levantamento de quanto resta de mata nativa nos municípios de Piracicaba, São Pedro (SP), Águas de São Pedro (SP), Anhembi (SP) e Santa Maria da Serra (SP). Os números, referentes a 2021, são: Piracicaba – 9% (12 mil hectares), São Pedro e Águas de São Pedro – 16,5% (10,5 mil hectares), Santa Maria da Serra – 15% (4 mil hectares) e Anhembi – 18,5% (13,5 mil hectares).
De acordo com os dados, Piracicaba é onde a cobertura florestal é menor na região e as florestas que existem são fragmentos de vegetação nativa.
“São remanescentes de vegetação natural que sobraram e estão cercadas por outros tipos de uso do solo, normalmente agropecuária. No entorno desses fragmentos, predomina o uso agropecuário, com presença de plantas invasoras, como o capim-braquiária ou colonião que, pelas bordas desses fragmentos, acabam invadindo o espaço da floresta. Durante as estiagens, esses capins secam e se transformam em um material facilmente inflamável”, aponta Girlei Cunha.

Conclua a leitura desta reportagem clicando no g1

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