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Cidade do ES tem a menor cobertura vegetal em área urbana do Brasil; confira ranking

17/09/2024

Uma cidade do Espírito Santo ganhou destaque nacional, mas não por um motivo de dar orgulho aos seus moradores. Entre as dez cidades com menor cobertura vegetal de todo o Brasil, o município de Jerônimo Monteiro ocupa a primeira colocação. Apenas 1,002% do território urbano tem cobertura vegetal.
A cidade capixaba divide o pódio dessa triste estatística com Lizarda do Norte, em Tocantins, que apresenta o mesmo percentual (confira ranking mais abaixo). O levantamento é do MapBiomas, uma rede ambiental formada por universidades, organizações não governamentais (ONG’s) e startups tecnológicas. A análise corresponde ao ano de 2022.
O estudo analisou a presença dos biomas Cerrado, Mata Atlântica, Pampa, Pantanal e Caatinga nos municípios brasileiros. A partir do resultado, fizeram um ranking geral com os piores resultados entre todos os conjuntos de ecossistema.
Segundo o MapBiomas, os pesquisadores utilizaram dados da Coleção Beta MapBiomas com imagens dos satélites Sentinel de resolução espacial, que foram complementados com informações detalhadas de praças e outros espaços verdes urbanos mapeados disponíveis no Open Street Map.
O cenário em Jerônimo Monteiro vai contra a indicação estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O órgão indica que as cidades deveriam ter, no mínimo, 20% de cobertura florestal em sua área urbana.
Para o ambientalista e doutor em Ciência Florestal Luiz Fernando Schettino, a situação prejudica o bem-estar dos moradores da cidade capixaba.
Se você não tiver uma área verde adequada pode causar uma série de problemas, como stress e mudanças nas condições de saúde física e mental. Você necessita de uma condição mínima para ter saúde, melhoria da qualidade do ar e redução de calor. E a arborização impacta nisso. Hoje, é preciso de uma a duas árvores por habitantes" — Luiz Fernando Schettino
O ambientalista exemplificou ainda que a diferença de temperatura entre uma rua com e sem arborização pode ser de 4ºC a 5ºC. Ou seja, os habitantes sentem na pele que as temperaturas ficam mais altas.
“Inclusive, em volta que cada árvore que a gente planta na rua você tem que deixar um espaço de no mínimo 60 cm. Essas áreas são muito importantes, pois tem infiltração de água que ajuda até a diminuir as consequências das enchentes”, falou Schettino.
A cidade de Jerônimo Monteiro, por exemplo, já chegou a ser a região mais quente do país, atingindo temperatura de 40,5ºC em um dia.
Para o ambientalista, falta um olhar de instituições para a questão, além de envolvimento da comunidade nessa causa.
Para além do meio ambiente, a presença vegetal tem valor imobiliário. Um apartamento ou uma casa pode ter o preço maior, ou menor, devido à arborização. Schettino explicou que a ausência de vegetação causa a sensação de que o espaço não é bom.
Isso porque as pessoas buscam locais de convivência em comum, como praças, onde há arborização. "Você quer passear com a criança em uma praça arborizada, uma calçada florida, não em espaços sem nenhuma planta", disse o especialista em Ciência Florestal.
Criado em 2020, o Cadastro Ambiental Urbano (CAU) é um projeto do Ministério do Meio Ambiente, dentro do programa Cidades Mais Verdes. O objetivo é incentivar os gestores municipais a aumentarem a quantidade e qualidade das áreas verdes urbanas.
Além disso, projetam o aumento do uso de parques nas cidades e áreas de lazer. Os municípios cadastrados podem até receber recursos do Cidades+Verdes.
A Prefeitura de Jerônimo Monteiro foi procurada para comentar as informações sobre projetos relacionadas a vegetação e foi indagada se participa do CAU. A Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama) e o Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) também foram demandados sobre incentivos aos municípios.
Até a publicação da reportagem, não houve retorno de nenhum dos três órgãos.

Fonte: g1

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