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Iniciativa usa GPS para rastrear e coletar redes fantasmas

27/06/2024

Qualquer profissional que atue com o reaproveitamento de resíduos sólidos repete quase como um mantra: lixo não existe. Na Austrália, um grupo de voluntários de limpeza de praia, acostumado a recolher toneladas de detritos na beira-mar, está experimentando a ideia de uma forma bem interessante: um GPS descartado virou a tecnologia responsável por ajudar a rastrear redes fantasmas. A grosso modo, seria como usar “lixo” para achar lixo.
Redes de pesca vão parar nos oceanos todos os anos. A ONG World Animal Protection estima que 10% do lixo plástico que entra nos mares e oceanos é equipamento de pesca perdido ou abandonado nos mares (redes fantasmas). Tais materiais, por terem sido desenhados para fazer captura, têm uma capacidade de gerar um grande sofrimento nos animais – o que é especialmente cruel quando isso ocorre de forma não intencional, como é o caso das redes fantasmas.
A organização sem fins lucrativos Tangaroa Blue Foundation, que abrange toda a Austrália no trabalho de remoção e prevenção de detritos marinhos, é quem lidera uma recente iniciativa de coleta das redes fantasma. Tudo começou após o grupo encontrar bóias com GPS usadas por pescadores comerciais para localizar as suas redes e linhas. Encaminhar um equipamento de alta tecnologia para o aterro seria um grande desperdício. A ideia então foi não apenas de reciclar como também reutilizar o equipamento para enfrentar o problema crescente das redes fantasmas no oceano.
A tecnologia permite rastrear as redes, mas o verdadeiro desafio está em recuperá-las. Os rastreadores podem medir o peso da corda pendurada sob o flutuador, de forma que a equipe entende o tamanho do barco que será preciso fretar. O problema, como de qualquer organização ambiental, é que os recursos financeiros para a empreitada são bastante limitados.
De todo modo, com a iniciativa, a Tangaroa Blue já recuperou com sucesso três redes fantasmas, incluindo uma gigante de três toneladas emaranhada no Golfo de Carpentaria durante mais de um ano. Até o momento, tripulações de aproximadamente 100 embarcações de pesca comercial, representando 22 empresas internacionais, aderiram à iniciativa da Tangaroa Blue.
Embora as redes fantasmas provenientes das operações de pesca comercial sejam o problema mais significativo aqui, o equipamento de pesca deixado na praia ou no litoral também pode acabar no oceano e impactar a vida marinha através da ingestão, emaranhamento e exposição a materiais nocivos.
Dentre os equipamentos ou fragmentos de equipamentos de pesca mais comuns estão as redes de arrasto, linhas, anzóis, potes e gaiolas. As redes fantasmas podem matar de várias formas. Os animais podem ficar feridos ou mutilados na tentativa de escaparem, presos e vulneráveis a predadores ou não conseguirem se alimentar e morrerem de fome.

Fonte: CicloVivo

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