
18/06/2024
O avistamento de tubarões disparou no arquipélago de Alcatrazes, unidade de conservação marinha a cerca de 35 km da costa no litoral norte de São Paulo, entre São Sebastião e Ilhabela.
O crescimento é relatado em um estudo publicado no início do ano por pesquisadores do Instituto do Mar da Universidade Federal de São Paulo (IMar/Unifesp), de acordo com relatos feitos a eles por mergulhadores que frequentem a área de preservação, e referendado por especialistas e ouvidos pela reportagem.
A maior visualização reforça a hipótese do aumento recente na presença de tubarões após a expansão e fortalecimento da área de proteção integral, conforme a pesquisa.
O Refúgio de Vida Silvestre do Arquipélago de Alcatrazes é uma unidade de conservação federal administrada pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade).
Com pouco mais de 67 mil hectares, é a maior unidade de conservação marinha de proteção integral das regiões Sul e Sudeste e a segunda maior do Brasil. Já foram catalogadas mais de 1.300 mil espécies de flora e fauna na região, e ao menos 259 espécies de peixes estão protegidas.
Thais Rodrigues, chefe do ICMBio Alcatrazes, afirma que todos os dias são vistos tubarões no arquipélago. Entre as espécies mais comuns estão o tubarão-martelo e o galha-preta. São peixes que, adultos, podem passar de 4 metros de tamanho.
"Em Alcatrazes, que é uma área de reprodução, em geral esses peixes atualmente são menores. Eles ainda estão na fase juvenil", afirma Rodrigues, que rotula o local como "berçário".
Até a década de 1990, o arquipélago era alvo de exercícios de tiro realizados pela Marinha. Os projéteis destruíam os ninhos e afastavam as aves do lugar.
Após pressão de ambientalistas, que durou décadas, o lugar se transformou em agosto de 2016, por meio de decreto federal, em Refúgio de Vida Silvestre.
Conforme a chefe do ICMBio, as estratégias de monitoramento dos últimos anos e a fiscalização de pesca ilegal por ali equilibraram a vida marinha que atrai tubarões predadores àquela região distante das badaladas praias do litoral norte e de banhistas.
Para ela, o aparecimento de cardumes de espécies de tubarões indica eficiência na proteção dos ambientes marinhos de Alcatrazes, uma vez que estes animais estão no topo da cadeia alimentar.
A presença de tubarões na região do arquipélago também ocorre pelas características geográficas do lugar. Localizadas na confluência de duas correntes oceânicas, as águas na região são ricas em nutrientes.
O estudo da Unifesp, realizado entre 2022 e 2023, que, entre outras técnicas, usou equipamentos de filmagens remotas subaquáticas com isca nas gravações, registrou a presença de sete espécies de tubarões, sendo que seis delas são classificadas como ameaçadas de extinção.
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