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O que as temperaturas recorde dos oceanos significam para nosso planeta

11/06/2024

Os oceanos do planeta são como uma bateria global. Eles absorvem imensas quantidades de calor, que são liberadas lentamente em seguida.
Até agora, os oceanos já absorveram mais de 90% do calor capturado na atmosfera da Terra pelo aumento das emissões de gases do efeito estufa. Mas, nos últimos tempos, esse aquecimento se acelerou vertiginosamente.
Desde o fim de março de 2023, as temperaturas da superfície dos oceanos atingem novos recordes de temperatura diariamente. E, em 47 desses dias, as temperaturas superaram os recordes anteriores pela maior margem já registrada na era dos satélites, segundo os dados do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, da União Europeia.
Em fevereiro de 2024, o mundo completou um ano com aquecimento das temperaturas do ar acima de 1,5°C. Mas, no ano passado, algumas regiões dos oceanos atingiram níveis muito próximos do que seria esperado se o aquecimento global do ar atingisse 3°C acima dos níveis pré-industriais.
Estas medições sugerem que o oceano está se aquecendo com maior rapidez do que o esperado.
O rápido aumento da temperatura dos mares trouxe um quebra-cabeça para os cientistas: por que o recente aquecimento dos oceanos é ainda maior do que o indicado pelos modelos climáticos?
"O salto das temperaturas do oceano no último ano é enorme", segundo a professora de impactos das mudanças climáticas Hayley Fowler, da Universidade de Newcastle, no Reino Unido. "O fato de não podermos simular esses aumentos radicais e compreender o que está acontecendo é assustador."
O certo é que o aquecimento dos oceanos já causa prejuízos às pessoas e aos ecossistemas.
No verão de 2023, boias no litoral da Flórida registraram temperaturas da água mais altas que o nível de calor de uma banheira quente. E os recifes de coral estão passando pela sua quarta onda de branqueamento em todo o planeta, considerada a mais significativa verificada até hoje.
E ainda há outras consequências menos discutidas, como a intensificação das chuvas e a desoxigenação das profundezas do oceano. Tudo indica que os recordes de temperatura dos mares estão desestabilizando o planeta.
Dois fatores são os principais responsáveis pelo aquecimento recorde dos oceanos no último ano, segundo o oceanógrafo Michael McPhaden, da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês).
O primeiro motivo é a concentração cada vez maior de gases do efeito estufa na atmosfera. E o segundo foi o forte fenômeno El Niño em 2023.
O El Niño fez com que águas superficiais mais quentes que a média na zona tropical do oceano Pacífico aumentassem a evaporação, causando imensa transferência de calor para a atmosfera. E outros fatores bem mais fracos também influenciaram o aquecimento, afirma McPhaden.

A reportagem na íntegra pode ser lida clicando na Folha de S. Paulo

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