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Sisteminha da Embrapa será reproduzido em escala nacional

28/05/2024


Um sistema que produz vegetais e pequenos animais para consumo local será reproduzido em, pelo menos, mil propriedades familiares em todas as regiões do Brasil. Desenvolvido originalmente nos laboratórios da Universidade Federal de Uberlândia, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais e aperfeiçoado na Embrapa, o Sisteminha Comunidades é uma tecnologia capaz de combater a fome no campo.
Aplicada com sucesso em comunidades no Brasil e na África, a tecnologia será multiplicada em escala nacional por meio de ações do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), com apoio da Embrapa, Institutos Federais de Educação Técnica e outras instituições. O MDA está organizando a formação de uma rede nacional para levar o Sisteminha Comunidades a mil localidades nas cinco regiões brasileiras, no prazo de 36 meses.
“A rede não se limitará a mil famílias. Esse é um número que consideramos alcançável para os R$ 14 milhões iniciais de investimento do Ministério. Porém, queremos que o projeto continue crescendo e garantindo segurança alimentar a muito mais pessoas“, declarou o secretário de Territórios e Sistemas Produtivos Quilombolas e Tradicionais do MDA, Edmilton Cerqueira.
A participação da Embrapa na rede faz parte de um esforço da empresa de intensificar o trabalho com comunidades e povos tradicionais, de acordo com a diretora de Negócios da estatal, Ana Euler. “Estamos com trabalhos com a comunidade quilombola Kalunga, com povos indígenas e grupos sociais de mulheres. Estamos reformulando a transferência de tecnologia para que as soluções cheguem cada vez mais a esses públicos”, anunciou a diretora.
O criador do Sisteminha, o pesquisador Luiz Carlos Guilherme, da Embrapa Cocais (MA) explicou que a tecnologia foi concebida para ser uma solução efetiva ao problema da fome, com a qual a comunidade é capaz de produzir o próprio alimento. “É voltado a qualquer cidadão que queira aumentar a sua diversidade de alimentos seja no meio rural, urbano e periurbano”, comentou.
A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, oficializou a parceria assinando um Termo de Execução Descentralizada (TED) com o MDA. Ela destacou que o Sisteminha cumpre o desafio de contribuir com o Governo Federal na redução da insegurança alimentar e no combate à fome. “A ciência só tem significado se alcançar a cada um dos brasileiros”, declarou a presidente, lembrando que a etapa de expansão da tecnologia irá alcançar 500 mulheres chefes de família.

🤔 O que é o Sisteminha?
Trata-se de um sistema de baixo custo inicial que integra a criação de peixes à produção vegetal e outros tipos de criação. De pequeno porte, a tecnologia é voltada à prover segurança e soberania alimentar aos usuários, sendo projetada para pequenas propriedades (a partir de 100m2). Com o passar do tempo, ele gera excedentes de produção que podem ser comercializados promovendo também o desenvolvimento social.
Versátil, o Sisteminha pode ser facilmente adaptado às necessidades, experiência, preferências do produtor e condições de clima, solo, água e mercado locais. Recentemente, ele recebeu uma versão voltada ao empreendedorismo comunitário, batizada de Sisteminha Comunidades, que contempla o desenvolvimento local com parte da produção voltada ao mercado – saiba mais sobre o Sisteminha.
O Sisteminha foi implantado com sucesso em comunidades no Maranhão, onde virou política pública sendo adotado nos 30 municípios mais carentes do estado. Também tirou da fome famílias em países africanos como Gana, Uganda e Moçambique, e agora, com a parceria com o MDA, ganhará escala e se expandirá para todo o Brasil.
“Quando começamos, a maioria de nós não tinha o básico para comer”, conta Milena Pereira Martins, do Quilombo São Martins em Paulistana (PI). “Uma família começou [o Sisteminha] e outras perceberam que se todas entrassem a compra de insumos iria ser mais fácil e a produção aumentaria para todo mundo”, relatou.
Antônia Maria Messias do Nascimento, da etnia indígena Krenyê no Maranhão, contou que a comunidade depende de uma moto como único meio de transporte para acessar a cidade mais perto, a 60 quilômetros da aldeia Pedra Branca, onde mora. Entre os mantimentos que mais transportava estavam os ovos, por terem preço mais acessíveis. “Essas são as nossas galinhas hoje do Sisteminha”, conta mostrando a foto, “em pouco tempo, já teremos ovos lá mesmo”.

Fonte: CicloVivo

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