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Cientistas usam modelos climáticos para apontar a data em que Terra enfrentará extinção em massa

02/05/2024

O avanço do aquecimento global pode já ter determinado a data para o fim dos tempos. É o que dizem cientistas da Universidade de Bristol em pesquisa publicada na Nature Geoscience, cujos primeiros modelos climáticos de um supercomputador indicam que os mamíferos devem ter mais 250 milhões de anos na Terra.
Segundo a pesquisa, os extremos climáticos serão dramaticamente intensificados quando os continentes do mundo eventualmente se fundirem para formar um supercontinente quente, seco e em grande parte inabitável.
Processos tectônicos na crosta terrestre, resultando na formação de supercontinentes, também levariam a erupções vulcânicas mais frequentes. Como elas produzem enormes emissões de dióxido de carbono na atmosfera, aquecem ainda mais o planeta.
Os mamíferos, incluindo os humanos, sobreviveram historicamente graças à sua capacidade de se adaptar a extremos climáticos, especialmente por meio de adaptações como pelagem e hibernação no frio, bem como curtos períodos de hibernação em tempo quente.
Alexander Farnsworth, um dos autores e pesquisador sênior associado da Universidade de Bristol, afirmou: "O supercontinente recém-formado efetivamente criaria um triplo golpe, composto pelo efeito de continentalidade, sol mais quente e mais CO2 na atmosfera, aumentando o calor para grande parte do planeta. O resultado é um ambiente principalmente hostil, desprovido de fontes de alimentos e água para os mamíferos.”
"Temperaturas generalizadas entre 40ºC e 50ºC, e até mesmo mais extremas diariamente, aliadas a altos níveis de umidade selariam nosso destino, em última análise. Os humanos — juntamente com muitas outras espécies — pereceriam devido à incapacidade de dissipar esse calor por meio do suor, resfriando seus corpos."
A equipe internacional de cientistas aplicou modelos climáticos, simulando tendências de temperatura, vento, chuva e umidade para o próximo supercontinente — chamado Pangea Ultima —, esperado para se formar nos próximos 250 milhões de anos. Para estimar o futuro nível de CO2, a equipe usou modelos de movimento de placas tectônicas, química oceânica e biologia para mapear entradas e saídas de CO2.
Farnsworth, também professor visitante do Tibetan Plateau Earth System, Environment and Resources (TPESER), no Instituto de Pesquisa do Planalto Tibetano da Academia Chinesa de Ciências, disse: "O panorama no futuro distante parece muito sombrio. Os níveis de dióxido de carbono poderiam ser o dobro dos níveis atuais. Com o sol também previsto para emitir cerca de 2,5% mais radiação e o supercontinente se localizando principalmente nos trópicos quentes e úmidos, grande parte do planeta poderia enfrentar temperaturas entre 40°C e 70°C”.
"Este trabalho também destaca que um mundo dentro da chamada ´zona habitável´ de um sistema solar pode não ser o mais hospitaleiro para os humanos, dependendo se os continentes estão dispersos, como hoje, ou em um único supercontinente."

Fonte: O Globo

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