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G7 chega a acordo para abandonar carvão até 2035, mas com ressalvas

02/05/2024

Os ministros de energia do G7 (grupo liderado pelos EUA e que reúne as principais economias do Ocidente) concordaram nesta terça-feira (30) em acabar com o uso do carvão na geração de energia "durante a primeira metade da década de 2030", de acordo com comunicado oficial.
No entanto, em uma ressalva, a declaração incluiu um objetivo alternativo de eliminação progressiva das usinas de energia a carvão em um intervalo mais longo, "em um cronograma consistente com a manutenção de um limite de aumento de temperatura de 1,5°C, de acordo com os caminhos de emissão líquida zero dos países".
A meta de que o planeta não aqueça mais que 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais é o objetivo principal do Acordo de Paris, assinado em 2015. Esse limite, afirmam os cientistas, é necessário para prevenir as consequências mais graves das mudanças climáticas.
A ressalva ao fim do carvão foi incluída na redação final do comunicado dos ministros de energia do G7 a pedido de Alemanha e Japão, cujas usinas a carvão produzem mais de um quarto de sua eletricidade, disseram à Reuters fontes da diplomacia. O trecho foi requisitado pelas nações como uma margem de manobra.
A Alemanha tem em sua legislação uma meta final de fechar as usinas de carvão até, no máximo, 2038, enquanto o Japão não definiu uma data para isso.
O acordo sobre o carvão marca um passo significativo na direção apontada no ano passado na COP28 (conferência do clima da ONU realizada em Dubai) para eliminar os combustíveis fósseis —entre os quais o carvão é o mais poluente.
"É a primeira vez que um caminho e um objetivo foram estabelecidos para o carvão", disse o ministro Gilberto Pichetto Fratin, que presidiu a reunião de dois dias em uma antiga residência real perto de Turim, na Itália.
O grupo —formado por Itália, Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Canadá e Japão— também disse reconhecer que cortar as receitas de energia da Rússia é essencial para apoiar a Ucrânia na guerra e prometeu trabalhar na diminuição de importações de gás russo.
O G7 não chegou a um acordo, porém, sobre possíveis sanções ao gás natural liquefeito (GNL) russo.
"Discutimos como avançar em direção ao objetivo de atingir zero importações de gás russo, revisando também questões relacionadas ao GNL", disse Pichetto.
Em meio ao impacto causado na segurança energética da Europa pela invasão russa à Ucrânia, o acordo oferece flexibilidade em caso de um novo conflito inesperado, afirmou ainda o ministro de energia da Itália à imprensa após o encerramento do evento nesta terça-feira.
A secretária de Estado do Ministério da Economia da Alemanha, Anja Hajduk, também considerou o acordo uma conquista importante.
"O fato de termos conseguido chegar a um acordo com nossos parceiros do G7 sobre um horizonte temporal para a eliminação do carvão é um sucesso histórico para a proteção do clima", afirmou Hadjduk.
Outro ponto polêmico do acordo é que permite a continuação de geração de energia elétrica a partir do carvão em casos em que sejam instalados sistemas de captura de emissões de dióxido de carbono (CO2), uma decisão criticada por ecologistas.
Para Andreas Sieber, da ONG 350.org, o documento é "um avanço importante, mas insuficiente". Já para o Institute for Climate Analysis "2035 é tarde demais". A entidade disse também ser "notável que não se tenha mencionado o gás", apesar de ser a maior fonte de aumento global de emissões de carbono na última década.
Luca Bergamaschi, do think tank climático Ecco, avaliou que o G7 deu "um passo decisivo" ao levar o acordo da COP28 para uma legislação em nível nacional, enquanto a ONG WRI (World Resources Institute) festejou o compromisso como "um farol de esperança para o resto do mundo".
Na seção de clima e energia do comunicado de 35 páginas, o G7 diz que contribuirá para uma meta global de armazenamento de energia no setor elétrico de 1.500 gigawatts (GW) em 2030, um aumento de mais de seis vezes em relação a 2022.
Os ministros também afirmaram que serão necessários investimentos de US$ 600 bilhões por ano em redes de transmissão e distribuição de eletricidade até 2030, conforme avance o desenvolvimento de fontes de energia renovável.
O bloco do G7 também reafirmou seu compromisso de reduzir a dependência de suprimentos nucleares voltados ao uso civil vinculados à Rússia. O grupo disse ainda que os países que optarem pela energia nuclear deverão promover tanto o desenvolvimento de reatores nucleares modulares pequenos quanto colaborações internacionais para criação de plantas-piloto de energia gerada por fusão nuclear.

Fonte: Folha de S. Paulo

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