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Impulsionada pela China, energia a carvão ganhou novo fôlego em 2023

16/04/2024

A capacidade global de gerar energia a partir do carvão, um dos combustíveis fósseis mais poluentes, cresceu em 2023, impulsionada por uma onda de novas usinas entrando em operação na China, o que coincidiu com um ritmo mais lento de desativação de usinas mais antigas nos Estados Unidos e na Europa.
As descobertas são de um relatório anual do Global Energy Monitor, uma organização sem fins lucrativos que acompanha projetos de energia ao redor do mundo.
A pegada pesada de gases de efeito estufa do carvão tem provocado pedidos para que seu uso como fonte de energia seja rapidamente eliminado, e todos os países do mundo concordaram amplamente em reduzir sua dependência do carvão. No entanto, economias em processo de industrialização, especialmente em países asiáticos com acesso barato a reservas domésticas de carvão, estabeleceram prazos maiores para suas transições.
A China sozinha respondeu por dois terços das novas usinas de carvão em operação no mundo no ano passado. Indonésia, Índia, Vietnã, Japão, Bangladesh, Paquistão e Coreia do Sul também inauguraram novas usinas, que normalmente operam por duas a três décadas.
Um ponto positivo é que as novas usinas de carvão geralmente são menos poluentes do que as mais antigas, mas cientistas, pesquisadores climáticos e ativistas concordam que é preciso afastar-se não apenas do carvão, mas de todos os combustíveis fósseis, o mais rápido possível para evitar as consequências mais graves do aquecimento global.
A China, e, em menor medida, a Índia, ainda planejam construir usinas de carvão por muitos anos. Em 2023, a construção de novas usinas de carvão atingiu o maior patamar em oito anos na China. Se o país construísse todas as outras que propôs, adicionaria o equivalente a um terço de sua frota atual em operação.
Atualmente, a China responde por cerca de 60% do uso mundial de carvão, seguida pela Índia e depois pelos Estados Unidos. A Índia depende mais intensamente do carvão, com 80% de sua geração de eletricidade derivada dele.
Outro aspecto do crescimento do carvão é uma desaceleração na desativação de usinas nas economias ocidentais. Menos usinas foram desativadas em 2023 do que em qualquer ano da última década. Eliminar todas as usinas de carvão em operação até 2040 exigiria o fechamento de cerca de duas usinas por semana, em média.
A modelagem da Agência Internacional de Energia sugere que, para se alinhar com o objetivo de limitar o aquecimento global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, os países ricos devem eliminar o carvão até 2030, e ele deve ser eliminado em todos os outros lugares até 2040.

Fonte: Folha de S. Paulo

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