
09/04/2024
Que as baleias-jubarte passam temporada no mar capixaba todo mundo deve saber. Agora, o que poucos sabem é que o litoral do Espírito Santo também abriga diversas espécies de golfinhos, inclusive uma ameaçada de extinção. Pesquisadores intensificaram o monitoramento para conhecer melhor e evitar o desaparecimento desses animais. Até uma rota de observação foi criada.
O g1 embarcou em uma expedição com ambientalistas, conheceu a Rota dos Botos, flagrou mais de 30 animais de uma só vez e ficou a poucos metros de distância de golfinhos que pareciam querer brincar com o barco e os humanos curiosos que estavam em alto-mar.
Toca dos Botos
A equipe de reportagem esteve na Toca dos Botos, onde botos-cinza fazem morada numa extensão de aproximadamente cinco quilômetros.
O reduto fica entre o bairro Jardim Camburi, em Vitória, e Praia Mole, na Serra, a apenas cerca de 5 km da costa capixaba.
"Curiosamente, na região estão instaladas duas grandes indústrias. O que demonstra que o grupo de golfinhos é bem resiliente. A pesquisa demonstra que é possível a coexistência de atividades humanas importantes para o desenvolvimento econômico da região com o ativo natural presente", disse o ambientalista Thiago Ferrari.
Os primeiros levantamentos apontam que mais de 200 animais da mesma espécie ficam na região. Eles se deslocam entre a região de Manguinhos, no município de Serra, e a Barra do Jucu , em Vila Velha.
Essas espécies podem ser vistas diretamente da praia pelos banhistas. A presença desses bichos encantam famílias inteiras.
Os golfinhos são monitorados por ambientalistas da ONG Instituto O Canal e por pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
A intenção da pesquisa é entender os hábitos de vida dos botos, incentivar o turismo náutico e desenvolver a educação ambiental para conservar as espécies em território capixaba.
O g1 participou de umas das expedições em uma embarcação de pesquisa e saiu bem cedo para encontrar os animais. O dia de estudo (e passeio) começou quando o Sol ainda nem tinha surgido no horizonte.
Por volta de 6h, a equipe composta de ambientalistas e biólogos já estava tentando localizar os primeiros golfinhos em mares capixabas. Em menos de uma hora de navegação, e com muitas expectativas, os primeiros golfinhos são vistos a poucos quilômetros da costa capixaba.
Depois, chegou a hora de viajar mais de 2 horas mar adentro. Esse novo local é reduto dos golfinhos oceânicos, avistados a mais de 40 quilômetros da costa. A rota começou por Vitória, passou por Serra e foi concluída na altura do município de Vila Velha.
Os golfinhos, ou botos, são mamíferos e, como as tartarugas, precisam subir para respirar fora da água. Por esta razão, são facilmente vistos pela superfície do mar.
O Instituto O Canal, responsável pelas pesquisas dos golfinhos, é o mesmo criador do Projeto Amigos da Jubarte, que existe desde 2014, que está relacionado à pesquisa das baleias.
Segundo o presidente do instituto, o ambientalista Thiago Ferrari, foi durante as expedições para observar as baleias que os pesquisadores perceberam a existência de golfinhos. E, ao contrário dos gigantes do mar, os golfinhos são vistos em todos os períodos do ano e, por esta razão, começaram a ser monitorados.
A matéria na íntegra pode ser lida no g1
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