
18/03/2024
Um ambicioso projeto de monitoramento de recursos hídricos –para agricultura e outros fins– terá início neste ano no Brasil.
O OpenET-Brasil é uma vertente do projeto original OpenET, conduzido nos EUA e fruto de uma parceria público-privada de várias agências e instituições de pesquisa americanas, dentre elas a Nasa, o Departamento de Agricultura, a USGS (Serviço Geológico dos EUA), a Universidade Estadual da Califórnia e a Universidade de Nebraska-Lincoln, entre outras.
A única instituição de fora dos EUA a participar do projeto é a UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).
O objetivo da iniciativa, iniciada em solo americano em 2021, era desenvolver um método eficaz para medir a troca de água da superfície para a atmosfera terrestre em vastas regiões, por meio do uso de dados de sensoriamento remoto –principalmente imagens de satélite.
Não é fácil fazer essa estimativa de forma precisa, por conta da complexidade envolvida no sistema. Ele precisa levar em conta não só os efeitos físicos, de que a água depositada na superfície evapora e sobe como vapor para a atmosfera, mas também os efeitos biológicos, com a transpiração constante das plantas que recobrem boa parte do solo terrestre.
Daí o uso da expressão "evapotranspiração" (que responde pela sigla ET no nome do projeto) para englobar todos os processos que precisam ser contemplados e medidos.
"O OpenET surgiu nos EUA especialmente em função da reduzida disponibilidade hídrica para irrigação de grandes áreas agrícolas, além de um cenário de mudanças climáticas, possivelmente com menor disponibilidade hídrica e maior ocorrência de secas", conta Anderson Ruhoff, pesquisador do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da UFRGS e líder da participação brasileira na iniciativa.
"O projeto foi criado para monitorar e gerenciar o uso da água na agricultura, especialmente irrigada."
Não é fácil estimar quanta água deixa o solo com base em imagens de satélite, que não oferecem essa informação de forma direta. Os pesquisadores tiveram de desenvolver uma metodologia para transformar as informações brutas que vêm do sensoriamento remoto em estimativas de evapotranspiração.
"O OpenET usa modelos matemáticos que simulam os processos físicos que ocorrem entre a superfície e a atmosfera, incluindo, por exemplo, a incidência de radiação solar, temperatura da atmosfera, processos de aquecimento de ar e evaporação da água e transpiração das plantas", explica Ruhoff.
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