
18/03/2024
Em meio ao gelo marinho na costa norte do Canadá, cientistas observam a água salgada ser bombeada sobre o oceano congelado.
O objetivo deles? Desacelerar o aquecimento global.
À medida que o gelo marinho desaparece, a superfície escura do oceano pode absorver mais energia do Sol, o que por consequência acelera ainda mais o aquecimento. Portanto, os pesquisadores querem engrossá-lo para impedir que derreta.
Trata-se de uma das mais malucas áreas de pesquisa da geoengenharia: intervir deliberadamente no sistema climático da Terra para tentar neutralizar os danos causados pela ação humana.
A geoengenharia engloba esforços mais consolidados para reter os gases que aquecem o planeta, como plantar mais árvores e enterrar carbono no subsolo.
Mas medidas experimentais pretendem ir um passo além, buscando reduzir a energia absorvida pela Terra.
Muitos cientistas se opõem fortemente ao método, alertando que tais tentativas desviam a atenção da medida mais necessária, que é a redução das emissões de carbono, e podem causar mais danos do que benefícios.
Mas um pequeno número de defensores afirma que a abordagem poderia ajudar o planeta.
O objetivo final da experiência no Ártico é engrossar o gelo marinho o suficiente para abrandar ou mesmo reverter o derretimento já observado, diz o Dr. Shaun Fitzgerald, cuja equipe do Centro de Reparação Climática da Universidade de Cambridge está por trás do projeto.
Funcionará ou será, como disse um cientista, “bastante maluco”?
“Na verdade, não sabemos o suficiente para determinar se esta é uma boa ou má ideia”, admite Fitzgerald.
Os pesquisadores têm enfrentado condições adversas em Cambridge Bay, uma pequena vila canadense no Círculo Polar Ártico.
“Está muito frio”, diz Andrea Ceccolini, da Real Ice, empresa britânica que lidera a viagem. Ela concedeu entrevista à BBC por Zoom, com uma conexão irregular de dentro de uma tenda branca.
“É cerca de -30ºC com vento forte, o que leva a sensação térmica para -45ºC.”
Eles estão abrindo um buraco que se forma naturalmente no inverno no gelo marinho e bombeando cerca de 1.000 litros de água do mar por minuto pela superfície.
Exposta ao ar frio do inverno, a água do mar congela rapidamente, ajudando a engrossar o gelo na superfície. A água também compacta a neve.
Como a neve fresca atua como uma boa camada isolante, agora o gelo também pode se formar mais facilmente na parte inferior em contato com o oceano.
“A ideia é que quanto mais espesso for o gelo [no final do inverno], mais tempo ele sobreviverá quando entrarmos na estação do degelo”, explica Ceccolini.
Quando concederam a entrevista no final da viagem, eles já haviam visto o gelo engrossar algumas dezenas de centímetros em toda a sua pequena área de estudo. O gelo será monitorado pelos moradores locais nos próximos meses.
Mas ainda é cedo demais para dizer se a sua abordagem pode realmente fazer a diferença no rápido declínio do gelo marinho do Ártico.
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