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Pesquisadores criam tecido refrescante usando nanodiamantes

12/03/2024

O uso de roupas leves e que não retêm muito calor estão entre as várias recomendações do Ministério da Saúde para amenizar as temperaturas extremas. Linho, seda, algodão são alguns dos velhos conhecidos tecidos “queridinhos” do verão. Mas, com ondas de calor cada vez mais frequentes, pesquisadores estão atrás de novidades que possam ser ainda mais úteis neste sentido. Uma equipe de engenheiros da Universidade RMIT (Instituto Real de Tecnologia de Melbourne), na Austrália, desenvolveu um tecido que pode resfriar as pessoas mais rapidamente.
O novo têxtil se enquadra nos chamados tecidos inteligentes, que são aqueles que possuem algum tipo de avanço tecnológico capaz de resolver algum problema comum encontrado nos tecidos convencionais. Tecido que inibe odores, tecido impermeável ou que ajuda na regulação térmica temporal são exemplos disso.
Na pesquisa da RMIT, o tecido refrescante chama atenção pelo uso de nanodiamantes para revestir um tecido feito de algodão. Os nanodiamantes, que possuem alta condutividade térmica, removem e liberam o calor corporal do tecido.
Aplicando um método chamado eletrofiação, uma tecnologia acionada por voltagem, o estudo descobriu que o tecido era capaz de reduzir a temperatura de dois a três graus Celsius em comparação com o algodão normal ou não tratado.
Os nanodiamantes são minúsculos cristais de carbono e os pesquisadores afirmam que o método de revestimento de nanofibras com nanodiamantes em têxteis de alta tecnologia tem um forte potencial comercial.
“Embora dois ou três graus possam não parecer uma grande mudança, fazem diferença no conforto e nos impactos na saúde durante longos períodos e, em termos práticos, podem ser a diferença entre manter o ar condicionado ligado ou desligado”, afirma a doutora Shadi Houshyar, líder do projeto.
O estudo descobriu que os nanodiamantes aumentam a proteção UV do algodão, tornando-o ideal para roupas de verão ao ar livre. O uso deste tecido em roupas foi projetado para gerar uma economia de energia de 20 a 30% devido ao menor uso de ar condicionado.
Outros usos do tecido com nanodiamantes incluem roupas esportivas e até mesmo como EPI para bombeiros, por exemplo. “Também há potencial para explorar como os nanodiamantes podem ser usados ​​para proteger edifícios do superaquecimento, o que pode levar a benefícios ambientais”, complementa Shadi.
Baseada no Centro de Inovação de Materiais e Moda do Futuro, a equipe de pesquisa é composta por engenheiros da RMIT e pesquisadores têxteis que possuem grande experiência no desenvolvimento de têxteis inteligentes.
A pesquisadora explica que os nanodiamantes não são iguais aos diamantes que adornam as joias. “Na verdade, eles são baratos de fabricar – mais baratos que o óxido de grafeno e outros tipos de materiais de carbono”, afirma.
Isso não significa que caso seja lançado no mercado seja uma opção acessível. As camisetas com tecnologia anti suor disponíveis atualmente no mercado, por exemplo, têm um custo bem acima da média.A pesquisadora principal e assistente de pesquisa, Aisha Rehman, explica que o revestimento com nanodiamantes foi aplicado deliberadamente em apenas um lado do tecido para impedir que o calor da atmosfera fosse transferido de volta para o corpo.
“A lateral do tecido com revestimento de nanodiamante é o que toca a pele. Os nanodiamantes então transferem calor do corpo para o ar”, detalha Aisha, que trabalhou no estudo como parte de seu doutorado.
Além de suas propriedades de condutividade térmica, os nanodiamantes também podem ajudar a melhorar as propriedades térmicas de líquidos e géis, bem como aumentar a resistência à corrosão em metais.
“Os nanodiamantes também são biocompatíveis, por isso são seguros para o corpo humano. Portanto, tem um grande potencial não apenas nos têxteis, mas também na área biomédica”, garante a pesquisadora.
Embora a pesquisa ainda seja preliminar, Shadi Houshyar acredita que este método tenha um forte potencial comercial. “Esta abordagem de eletrofiação é simples e pode reduzir significativamente a variedade de etapas de fabricação em comparação com métodos testados anteriormente, que apresentaram processos demorados e desperdício de nanodiamantes”, pontua.
Outras pesquisas estudarão a durabilidade das nanofibras, especialmente durante o processo de lavagem.

O estudo completo, em inglês, foi publicado no CicloVivo

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