
07/03/2024
O mundo está prestes a ter o quarto evento de branqueamento em massa de corais, informou nesta terça-feira (5) a Noaa (agência atmosférica e oceânica americana). O fenômeno, causado pelo aquecimento excessivo do mar, poderia resultar na morte de extensas áreas de recifes tropicais, incluindo partes da Grande Barreira de Corais da Austrália.
Biólogos marinhos estão em alerta máximo após meses de calor oceânico recorde impulsionado pelas mudanças climáticas e pelo padrão climático El Niño.
"Parece que todo o Hemisfério Sul provavelmente vai sofrer branqueamento este ano", disse o ecologista Derek Manzello, coordenador do Coral Reef Watch da Noaa, que atua como autoridade global de monitoramento de risco de branqueamento de corais.
"Estamos literalmente à beira do pior evento de branqueamento da história do planeta", afirmou.
Desencadeado pelo estresse térmico, o branqueamento de corais ocorre quando os corais expulsam as algas coloridas que vivem em seus tecidos. Sem elas, os corais ficam pálidos e vulneráveis a doenças e à fome, já que boa parte da sua energia vem da fotossíntese feita por essas algas.
Como corais são enormes berçários de peixes e outras espécies, o fenômeno pode ser devastador para o ecossistema oceânico —bem como para as economias baseadas em pesca e turismo, que dependem de recifes saudáveis e coloridos para atrair mergulhadores.
O último evento global de branqueamento em massa ocorreu de 2014 a 2017, quando a Grande Barreira de Corais perdeu quase um terço de seus corais. Resultados preliminares sugerem que cerca de 15% dos recifes do mundo tiveram taxas altas de mortalidade neste evento.
Neste ano, o cenário que está se desenhando até agora nas observações dos pesquisadores indica que a situação deve ser ainda pior.
Após o verão do Hemisfério Norte no ano passado, o Caribe teve seu pior branqueamento de corais já registrado. Agora, a situação está se repetindo e escalando na outra metade do planeta.
"O Hemisfério Sul está basicamente sofrendo branqueamento por todos os lados", disse Manzello. "Toda a Grande Barreira de Corais está sofrendo branqueamento. Acabamos de receber relatos de que Samoa Americana está sofrendo branqueamento."
Eventos globais anteriores de branqueamento ocorreram em 2010 e 1998, fenômeno que está frequentemente ligado ao El Niño, que é caracterizado pelo aquecimento do oceano Pacífico perto da linha do Equador.
Segundo a Organização Meteorológica Mundial, o El Niño que começou em 2023 e alcançou intensidade máxima em dezembro está entre os cinco mais fortes já registrados e deve causar calor acima do normal até maio.
Mas o branqueamento também é uma das consequências da crise climática. O mundo acabou de registrar seu primeiro período de 12 meses com uma temperatura média superior a 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais.
Se registrada por um período mais longo, a elevação de 1,5°C é considerada o ponto de inflexão para grandes mortes de corais, com estimativas que 90% dos corais do mundo poderiam ser perdidos.
Para que um evento seja considerado global, é necessário que ocorra branqueamento generalizado em três bacias oceânicas: Atlântico, Pacífico e Índico. Os cientistas avaliam dados de temperatura da superfície do mar e imagens de satélite para determinar se os pixels dos recifes estão ultrapassando os limiares-chave de branqueamento.
Para que um evento seja classificado como global e massivo, um certo percentual de pixels de recifes precisa revelar um nível de estresse térmico em cada bacia oceânica. Com base apenas nessa definição, segundo Manzello, neste ano "tecnicamente já chegamos lá".
No entanto, ele disse que a Noaa ainda estava aguardando a confirmação final de cientistas do oceano Índico ou fotografias de recifes da região para sinalizar oficialmente o quarto evento de branqueamento em massa.
A matéria na íntegra pode ser lida na Folha de S. Paulo
Caribe em Ipanema: descoberta de bancos de algas calcárias cor-de-rosa surpreende pesquisadores; veja
29/09/2026
Eleições 2026: o clima entrou nos planos, mas não nas campanhas
29/09/2026
Caçadores de tempestades registram ´supercélula´ em Alegrete durante período de temporais no RS; VÍDEO
29/09/2026
Sob El Niño, primavera deve ter calor, seca e tempestades severas
29/09/2026
VÍDEO: terremoto desperta vulcão ´adormecido´ há mais de 500 anos, mostra satélite da Nasa
29/09/2026
Semana do Clima: é hora de encarar a necessidade de mudanças
29/09/2026
