
05/03/2024
As cataratas do Iguaçu ficam na Floresta Atlântica do Alto Paraná. No lado brasileiro, fica o Parque Nacional do Iguaçu. E, no lado oposto, o Parque Nacional Iguazú, na Argentina.
🐆A região abriga mais de 2 mil espécies de plantas e uma imensa variedade de animais, incluindo a tão popular onça-pintada.
Para os mais de um milhão de turistas que visitam o local todos os anos, o cenário pode parecer apenas uma amostra de uma área que seria imensa e repleta de biodiversidade.
🏝️ Mas, para as pessoas que conhecem bem a região, como a bióloga Yara de Melo Barros, os dois parques nacionais da região das cataratas, na verdade, são apenas "uma ilha de vida em meio ao desmatamento".
Barros é coordenadora do projeto de conservação da onça-pintada chamado Onças do Iguaçu.
🐆Ela ensina que, em 140 mil quilômetros quadrados da Mata Atlântica, existem apenas 300 onças-pintadas. E até um terço delas vive agora no estreito corredor de 2,4 mil km² protegido pelos parques nacionais do Brasil e da Argentina, na região das cataratas do Iguaçu.
Atualmente, a onça-pintada enfrenta alguma forma de ameaça em quase todo o seu habitat, que vai do sudoeste dos Estados Unidos até o norte da Argentina. E um estudo da Cites – a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Fauna e da Flora Selvagem – indica que essas ameaças estão aumentando.
À medida que o desmatamento se amplia e aumentam as incursões das estradas e da agricultura na floresta, a quantidade de presas diminui e os caçadores ilegais ganham cada vez mais acesso às áreas mais remotas.
E não são apenas os grandes felinos que estão enfrentando os riscos causados pelo desmatamento e pela caça ilegal. As populações de animais selvagens monitorados na América Latina e na região do Caribe como um todo diminuíram em catastróficos 94% nas últimas décadas, segundo o relatório Living Planet de 2022, elaborado pela Sociedade Zoológica de Londres (ZSL, na sigla em inglês).
"A caça precisa ser controlada com urgência" afirma Barros. "Os caçadores entram para caçar outros animais e acabam matando a onça-pintada."
Mas evitar a caça ilegal de qualquer criatura não é uma tarefa fácil, especialmente quando os parques mantêm relativamente poucos funcionários, frequentemente responsáveis pelo patrulhamento de grandes áreas.
Por isso, os pesquisadores e os funcionários dos parques da região das cataratas passaram a explorar novos meios para prever onde podem estar agindo os caçadores ilegais. E eles estão buscando ajuda em novas tecnologias de mapeamento.
No início dos anos 2000, os guarda-parques ainda preenchiam relatórios de campo manualmente, segundo Cecilia Belloni. Ela trabalha há muito tempo como guarda-parque na fronteira leste do Parque Nacional Iguazú, na Argentina.
"Agora, usamos telefones via satélite na floresta, além do sistema Smart (sigla em inglês para Ferramenta de Monitoramento e Relatório Espacial) e do Sistema de Informações Geográficas Quantum para análises espaciais", explica Belloni.
Segundo ela, "os Sistemas de Informações Geográficas podem aumentar a eficiência das patrulhas dos guarda-parques", pois permitem que as equipes florestais registrem melhor os dados e quantifiquem qualquer informação relevante que seja observada.
Conclua a leitura desta reportagem clicando no g1
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