
05/03/2024
Todos os anos, o Kew Gardens — o Jardim Botânico de Londres, no Reino Unido — realiza um festival de orquídeas com um tema específico.
Na edição de 2024, os curadores do evento decidiram homenagear Madagascar. Os artistas usaram mais de 5 mil orquídeas e outros materiais orgânicos para criar esculturas, arcos e arranjos que ilustram a fauna e a flora desta ilha africana.
Ao lado de outros veículos de imprensa, a BBC News Brasil teve acesso à estufa onde as peças foram montadas antes da abertura da exposição para o público.
Na ocasião, cientistas responsáveis por cuidar e estudar essas plantas também compartilharam os fatos científicos mais curiosos sobre as orquídeas.
Uma dessas flores, por exemplo, serviu de inspiração (e provação) ao famoso naturalista inglês Charles Darwin.
Outra espécie desta mesma família fornece um dos condimentos mais apreciados da gastronomia: a baunilha.
E as orquídeas também podem ser os principais indicadores da saúde e do equilíbrio de um determinado ambiente.
Ao lado das margaridas, as orquídeas integram uma das mais vastas famílias de plantas conhecidas pela ciência.
De acordo com estimativas divulgadas pelo Kew Gardens, já foram descritas mais de 25 mil espécies diferentes de orquídeas.
Elas crescem em todos os continentes, com exceção da Antártida.
A variedade delas também chama a atenção. As menores orquídeas do mundo, como a Platystele jungermannioides, têm apenas 3 milímetros de altura.
Já a maior (Vanilla planifolia) possui ramos que chegam até os 20 metros de extensão.
Já a orquídea-tigre, ou Grammatophyllum speciosum, possui hastes de flores com até 2 metros.
O agrônomo brasileiro Marcelo Sellaro, que trabalha no herbário do Kew Gardens, explicou que, apesar de cerca de 70% das espécies de orquídeas crescerem em árvores, elas não são consideradas parasitas.
Isso porque elas usam os troncos e galhos apenas como suporte e não extraem nenhuma seiva da árvore. Por essa razão, são descritas como plantas epífitas.
Outro fato curioso sobre as orquídeas mencionado por Sellaro tem a ver com a relação dessas plantas com os animais que fazem a polinização.
Cerca de 60% das espécies desta família "enganam" pequenos insetos, que são atraídos para as flores — embora os animais não encontrem ali nenhum tipo de recompensa, como o néctar.
Mesmo assim, ao interagirem com a flor da orquídea, os bichinhos saem das pétalas carregando o pólen, que é espalhado pelo ambiente e permite a reprodução dessas plantas.
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