
05/03/2024
Uma análise de mais de 200 projetos de plantio de árvores para geração de créditos de carbono em todo o mundo mostrou que a grande maioria tem baixa biodiversidade. Somente 12% deles plantam dez espécies nativas ou mais, enquanto 32% usam exclusivamente espécies exóticas.
O estudo aponta que a pouca variedade de espécies nativas pode não garantir a recuperação de ecossistemas e, consequentemente, ser menos eficaz para combater as mudanças climáticas.
A pesquisa foi realizada pela ONG inglesa Social Carbon Foundation, que desenvolve metodologias de certificação de projetos de compensação de carbono com foco social, em parceria com a Fundação Eco+, entidade mantida pela empresa química alemã Basf que presta consultoria de práticas florestais na América do Sul.
As duas instituições analisaram projetos de reflorestamento e recuperação de áreas degradadas (conhecidos pela sigla em inglês ARR) certificados e registrados por organismos internacionais desde 1999 ao redor do globo.
O objetivo deste tipo de iniciativa é aumentar os estoques de carbono na biomassa e, em alguns casos, no solo através do plantio de árvores —que absorvem o CO2 pela fotossíntese e o armazenam em galhos, tronco e folhas.
"A análise identificou a necessidade de rever o tipo de projeto ARR elegível para certificação de carbono", diz o documento. "Uma parcela significativa dos projetos planta espécies não nativas, emprega a extração de madeira e não monitora cobenefícios. Estes projetos proporcionam benefícios limitados para a biodiversidade."
Os pesquisadores classificaram os projetos em três grupos: de espécies nativas, mistas e exóticas.
No primeiro caso, é plantada uma variedade de espécies que são naturalmente encontradas naquela região, maximizando o potencial de restauração. Os projetos de espécies mistas muitas vezes combinam árvores com cultivos agrícolas. Já os projetos de exóticas plantam espécies não nativas para uso comercial, incluindo monoculturas.
"Percebemos que, mesmo tendo um crescimento de projetos desse tipo nos últimos anos, essa expansão pode ter ocorrido ao custo de uma menor riqueza de biodiversidade", afirma o biólogo Tiago Egydio, gerente da Fundação Eco+.
"Se você vai fazer uma ação de restauração de floresta, você até pode usar espécies não nativas para compor o seu plantio, mas é preciso escolher de uma forma bastante precisa qual é a espécie e quanto ela vai ocupar de espaço em um determinado tempo", explica ele.
"[A espécie] pode sombrear de forma estratégica uma área, mas depois de um ciclo de cinco a dez anos, ela cumpre aquela função e as espécies com crescimento um pouco mais lento que estavam por baixo começam a ganhar força e se estruturar dentro de um ecossistema forestal nativo de longo prazo."
A matéria na íntegra pode ser lida na Folha de S. Paulo
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