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Morro do Diabo protege a maior população de micos-leões-pretos na natureza, uma das espécies de primatas mais raras e ameaçadas

27/02/2024

Com uma estimativa de 1,8 mil indivíduos na natureza, a região do Pontal do Paranapanema, no extremo oeste do Estado de São Paulo, abriga cerca de 60% da população de micos-leões-pretos (Leontopithecus chrysopygus) existente. O Parque Estadual do Morro do Diabo, em Teodoro Sampaio (SP), é onde se concentra o maior contingente da espécie, considerada uma das mais raras e mais ameaçadas entre os primatas.
A coordenadora do Programa de Conservação do Mico-Leão-Preto do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ), Gabriela Cabral Rezende, informou ao g1 que a população do parque é a única considerada viável a longo prazo e não tem risco de extinção em um período de, pelo menos, 100 anos.
“O Parque Estadual do Morro do Diabo é como se fosse uma arca para preservar esse animal, para manter esse animal e essa espécie viva na natureza. Além desse parque, que é de grande importância para a conservação da espécie, a gente tem mais alguns fragmentos com pequenas populações, que são populações que variam entre 20 até mais ou menos 50 indivíduos. São populações pequenas que têm um risco maior de se extinguir se a gente não fizer nenhum tipo de ação para conservá-las”, esclareceu Gabriela.
Conforme o IPÊ, o mico-leão-preto é uma das espécies de primatas mais raras e ameaçadas do mundo e chegou a ser considerada extinta por cerca de 70 anos. Só foi redescoberta, em 1970, na região do Pontal do Paranapanema. A coordenadora do programa de conservação explicou ao g1 que a população de micos-leçoes-pretos no Parque Estadual do Morro do Diabo “não tem risco de desaparecer completamente”, porém, fez um alerta.
“A gente não pode pensar que, para conservar uma espécie, a gente tem que manter uma única população. Na verdade, a gente tem que ter várias populações dentro dessa área, que a gente fala que é Área de Distribuição da Espécie, área onde a espécie é nativa, para que, caso aconteça alguma coisa com uma população, a espécie como um todo não desapareça”, afirmou a pesquisadora.
O Programa de Conservação do Mico-Leão-Preto, realizado pelo IPÊ, utiliza a pesquisa científica para entender quais os riscos e necessidades da espécie e como trabalhar em ações de conscientização.
“Atualmente, a gente trabalha muito em tentar entender como esse animal utiliza o espaço onde ele vive, quais são os recursos que ele precisa para viver naquele espaço, como esses recursos estão distribuídos na área em que ele vive e como a gente pode, por exemplo, trabalhar para restaurar esse ambiente, restaurar esse hábitat, de modo que a gente aumente a qualidade desse ambiente para esse animal viver. Aumentar a qualidade significa ter mais desse recurso disponível”, afirmou Gabriela ao g1.
A coordenadora do programa de conservação também afirmou que a principal ameaça ao mico-leão-preto é a redução do hábitat, pois ele vive no alto das árvores, tem dificuldades para se locomover no solo e depende do ambiente florestal.
“O fato de o interior do Estado de São Paulo, que é onde essa espécie ocorre, ter passado por um longo processo de desmatamento e de criação de fragmentos florestais isolados acabou se tornando a principal ameaça para essa espécie, porque a gente tem a espécie presente em fragmentos de floresta isolados sem nenhuma conectividade, que faz com que as populações tenham reduzido em tamanho e sofram uma grande probabilidade de desaparecer, se nenhum tipo de ação for feito”, disse a pesquisadora.
Alguns grupos de micos-leões-pretos são monitorados na natureza e uma nova metodologia começou a ser utilizada com gravadores na floresta.
"Algumas populações a gente consegue observar como está a situação, mas algumas populações são um pouco mais complexas, porque é um trabalho que demanda muita pesquisa e muito trabalho de campo. A gente desenvolveu agora uma metodologia que utiliza gravadores remotos. Como o mico-leão-preto é um animal que vocaliza, que emite som, a gente consegue a partir dessas gravações entender qual é a situação da população. A gente desenvolveu o que estou chamando hoje de ´Protocolo de Avaliação Rápida da População´, que é justamente a gente usar esses gravadores, fazer esse monitoramento para entender qual é a situação daquela população”, explicou Gabriela ao g1.

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