
27/02/2024
Estima-se que 2,5 milhões de pessoas foram forçadas a deixar suas casas nos Estados Unidos devido a desastres relacionados ao clima em 2023, de acordo com novos dados do Census Bureau.
Os números, divulgados nesta quinta-feira (22), pintam um quadro mais completo do que nunca das vidas dessas pessoas no rescaldo dos desastres. Mais de um terço disse ter enfrentado escassez de alimentos pelo menos no primeiro mês após o deslocamento.
Mais da metade relatou ter interagido com alguém que parecia estar tentando praticar uma fraude. E mais de um terço disse ter sido deslocado por mais de um mês.
Os EUA registraram 28 desastres no ano passado, cada um ao custo de, pelo menos, US$ 1 bilhão (cerca de R$ 4,98 bilhões). Mas o número de americanos deslocados por esses desastres tem sido difícil de estimar devido ao sistema de resposta fragmentado do país.
Entender o impacto humano dos desastres, não apenas os custos financeiros, é cada vez mais urgente à medida que a mudança climática potencializa o clima extremo, dizem especialistas.
"Muitas vidas são perturbadas por esses eventos, de maneira pequena ou grande", disse Andrew Rumbach, membro sênior do Urban Institute, grupo sem fins lucrativos focado na promoção da mobilidade social e da equidade. "Isso tem um custo cumulativo muito grande que é difícil de capturar. Isso [o novo número], pelo menos, nos dá um retrato instantâneo."
Os dados de deslocamento foram coletados na Pesquisa Pulso das Famílias, feita pelo Census Bureau com o objetivo de medir como os desafios sociais e econômicos emergentes estão afetando os americanos. A pesquisa passou a incluir perguntas sobre desastres em dezembro de 2022.
Os primeiros resultados, divulgados em janeiro de 2023, mostraram que cerca de 3,3 milhões de pessoas foram deslocadas no ano anterior. De acordo com o último lote de respostas, coletadas em janeiro e início de fevereiro, 2,5 milhões disseram ter sido deslocados em algum momento no ano passado.
A mudança de um ano para o outro é, muito provavelmente, uma flutuação normal, disseram os especialistas, e também pode refletir algumas limitações da pesquisa.
Diferentes versões da pesquisa são enviadas periodicamente por mensagem de texto e e-mail para mais de 1 milhão de domicílios de cada vez. A pesquisa é autodeclaratória e leva cerca de 20 minutos. O número de pessoas que respondem pode variar de cerca de 40 mil a 80 mil. O Census Bureau então atribui pesos às respostas para torná-las representativas da população em geral.
O Census Bureau observa que "os tamanhos das amostras podem ser pequenos e os erros padrão podem ser grandes". Mas os especialistas dizem que os resultados, ainda assim, fornecem alguns dos melhores números disponíveis sobre deslocamento.
"É um número para se encarar com cautela", disse Rumbach, que possui doutorado em planejamento urbano e regional. "Mas, ao mesmo tempo, é um conjunto de dados em um mundo onde não temos muitos conjuntos de dados bons."
Furacões continuam sendo a causa mais comumente citada de deslocamento, seguidos por inundações e incêndios. Em Flórida, Texas, Califórnia e Louisiana, centenas de milhares de pessoas fugiram de suas casas.
A contagem dos deslocados por desastres pode ser enganosa porque as agências de resposta e grupos sem fins lucrativos só sabem quantas pessoas atendem, o que deixa de fora pessoas deslocadas que não pedem ajuda e comunidades que não recebem ajuda alguma.
A Agência Federal de Gerenciamento de Emergências, por exemplo, responde apenas a eventos que recebem uma declaração de emergência federal.
A matéria na íntegra pode ser lida na Folha de S. Paulo
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