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Geração de resíduos sólidos urbanos aumenta no Estado do Rio

20/02/2024

O que não se quer mais ou não tem serventia é descartado. Mas o que acontece? O que é jogado fora, seja em casa, no trabalho, pela indústria ou pelo comércio — fica dentro do próprio estado. Em 12 anos, a geração de resíduos urbanos teve um acréscimo de 363 toneladas por dia. Para ter uma noção, essa quantidade equivale a 2,6 maracanãs de lixo em um ano. Os dados foram apontados num levantamento feito por pesquisadores do Mestrado Profissional em Ciências do Meio da Ambiente da Universidade Veiga de Almeida (UVA).
— Há impactos do ponto de vista ambiental, em função dos potenciais impactos do descarte inadequado; econômico, devido aos custos com coleta, transporte, destinação final e disposição final dos resíduos; e social, quando percebemos que, apesar dos esforços para redução, reutilização e reciclagem dos resíduos, a sociedade fluminense ainda não conseguiu frear a geração — disse o pesquisador Carlos Eduardo Canejo, professor do Mestrado Profissional em Ciências do Meio Ambiente da UVA e um dos autores do estudo, trata-se de um valor expressivo que precisa ser encarado em três frentes.
A geração diária de resíduos no Estado do Rio passou 16.970 toneladas, em 2010, para 17.333 toneladas, em 2022, um crescimento de 2,14%. Os pesquisadores identificaram que 40% dos resíduos são de materiais recicláveis, dos quais 16% são papel ou papelão; 17,8%, plástico; 3,3%, vidro; e 2,9%, metal.
Maricá registrou o maior aumento da produção de resíduos sólidos de 106,67 toneladas para 167,71 toneladas por dia (57,2%). No mesmo período, a população da cidade cresceu 57,2%. Já a cidade do Rio se mostrou na contramão, com queda de 1,72% na geração de lixo. A Região Metropolitana, na qual a capital está incluída, apresentou redução populacional superior a 1%, fator que impacta nessa redução. Os pesquisadores alertam que essa nova configuração demográfica do estado faz com que as prefeituras reorganize a gestão dos rejeitos.
O estudo comparou os dados mais recentes do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com as estatísticas do Plano Estadual de Resíduos Sólidos do Estado do Rio de Janeiro (PERS), lançado em 2013, feito com base no Censo de 2010. Canejo destaca que o perfil do município e de sua população, como aumento ou redução do poder de compra, tem impacto direto na produção de resíduos.
— Localidades que são mais pobres têm uma fração maior de matéria orgânica e menor de recicláveis. Em áreas de maior poder aquisitivo, vamos ter uma fração menor de orgânicos e uma fração maior de recicláveis. Isso ocorre único e exclusivamente porque o poder aquisitivo da população muda. Quando há aumento de poder aquisitivo da população, mudam-se os padrões de consumo. Ou seja, começa a comprar mais itens congelados, a ter mais descarte de embalagens — salienta Canejo.
O pesquisador explicou que municípios que são muito adensados tendem a ter uma geração maior de resíduo por pessoa, enquanto os menos adensados geram uma quantidade menor por indivíduo.
— Quando vemos o crescimento de um determinado município, já sabemos que terá um impacto também na geração desses resíduos. Tem a ver com a economia da cidade. Factualmente, quando há um acréscimo populacional, há também um crescimento de mercado e isso faz com que haja um impacto na gestão dos resíduos sólidos urbanos.
De acordo com dados de 2022 do Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos (Sinir), que é vinculado ao Ministério das Cidades e ao Sistema Nacional de Sistema de Saneamento (SNIS), o Estado do Rio tem um dos índices mais baixos de recuperação de materiais recicláveis do país, 0,49%, enquanto a média nacional é de 1,67%. Na capital, é ainda pior: 0,37%.
Segundo o estudo da Universidade Veiga de Almeida, a cidade do Rio faz coleta seletiva apenas de cerca de 2% de 1,28 milhão de tonelada de materiais recicláveis.
— A reciclagem, que é o ponto final desse processo, é, sem dúvida nenhuma, importante, mas para além disso a gente precisa desenvolver modelos econômicos circulares. Estamos há décadas olhando para o lugar errado, para o fim da linha, gerenciando o problema, vendo o que vai fazer com o resíduo, quando deveríamos engajar toda a cadeia para não o gerar — disse Canedo.

Fonte: O Globo

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