
15/02/2024
Águas cristalinas, mar calmo, dunas e falésias. O município de Icapuí, no Ceará, mantém um litoral mais calmo e menos concorrido, diferente das badaladas praias de Canoa Quebrada e de Jericoacoara, o que o torna um dos destinos litorâneos mais paradisíacos do estado, com praias bonitas e tranquilas. O problema, porém, é que por conta da erosão litorânea, este cenário de calmaria pode acabar.
Desde a década passada, o município cearense, localizado na divisa com o Rio Grande do Norte, tem registrado episódios cada vez mais frequentes e mais fortes de destruição causada pela força do mar. Das 14 praias de Icapuí, pelo menos 6 possuem estágios avançados de erosão que obrigaram moradores e poder público a realizar obras de emergência para conter o avanço do mar.
A lista de prejuízos é extensa. Há casas danificadas, pescadores impedidos de zarpar, pousadas fechadas e hospedagens canceladas. Dezenas de famílias foram obrigadas a se mudar, e até mesmo uma escola precisou ser demolida após o mar avançar sobre o prédio.
No último dia 10 de janeiro, uma forte ressaca do mar na Praia da Peroba destruiu passarelas de madeira, cercas de contenção, arrastou sacos de areia, destruiu parte das dunas sobre as quais estão erguidos casas e hotéis e deixou descobertos os alicerces de construções, agora ainda mais expostos às intempéries do mar.
“Realmente a gente teve um prejuízo muito grande com o avanço dessa última maré. Ela quebrou todas as contenções na frente e passou pra pegar parte da casa”, conta Israel Santos, presidente da Associação de Moradores da Praia da Peroba (AMP).
“Tem pessoas na minha família com a casa quase caindo. Um primo meu tem uma pequena serraria, não tá chegando material porque não pode [atravessar]”, conta o pescador Francisco Pereira, que assim como vários companheiros de profissão, vive da pesca da lagosta.
Com o mar revolto avançando sobre o continente, Francisco Pereira precisou alterar o ponto de partida do seu barco para conseguir se lançar às águas em busca do sustento. Agora, em vez de sair da Praia da Peroba, onde vive, ele se desloca a uma comunidade vizinha, onde vive sua irmã, e de lá vai ao mar.
Muitas vezes, a água da maré chega a invadir pistas e impede a circulação de moradores e turistas. A situação o faz temer pela irmã. “Ela já é uma mulher de 60 e poucos anos. Vai que fica doente em um momento de maré alta, como é que vai levar pro hospital?”, questiona.
Para lidar com o cenário, em algumas regiões, moradores se uniram para construir muros feitos de sacos de areia e estacas de madeira. A prefeitura do município, por sua vez, afirma já ter investido mais de R$ 25 milhões de reais em obras de contenção da maré.
Em janeiro deste ano, a administração municipal anunciou uma nova obra milionária para a construção de espigões em uma das praias mais procuradas por turistas e mais afetadas pela erosão. A obra foi concebida após disputas na comunidade e intervenção judicial.
Entenda a situação acessando o g1
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