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Como minúsculas formigas conseguiram atrapalhar a caça de leões na savana do Quênia

30/01/2024

Pode um animal tão pequeno como uma formiga afetar o comportamento predatório de um leão? Foi exatamente o que aconteceu na savana queniana, segundo um estudo liderado por estudantes de pós-graduação da Universidade do Wyoming.
Os pesquisadores descobriram que a invasão de formigas-de-cabeça-grande na Ol Pejeta Conservancy, no Quênia, tornou os leões menos eficazes nos ataques às zebras, sua principal presa.
Isso ocorreu porque os insetos invasores matam as formigas acácias nativas que protegem as árvores espinhosas (espécies dominantes em grande parte da África Oriental) de serem comidas por elefantes e outros herbívoros, resultando em menos cobertura de árvores para os leões emboscarem as zebras.
“Mostramos que um minúsculo invasor reconfigurou a dinâmica predador-presa entre espécies icônicas”, escreveram os pesquisadores no estudo publicado na revista Science, e liderado por Douglas Kamaru.
As árvores espinhosas fornecem néctar e abrigo para formigas nativas. Em troca, as formigas defendem as árvores contra ataques, mordendo quem se aproxima e emitindo ácido fórmico. Ajudam, assim, a estabilizar a cobertura arbórea da savana.
Nas últimas duas décadas, a invasão da formiga-de-cabeça-grande - que pode der vindo de uma ilha no Oceano Índico - perturbou a relação simbiótica entre as árvores de espinhos e as formigas nativas.
As formigas invasoras matam as formigas nativas, mas não protegem as árvores dos elefantes, permitindo que os enormes herbívoros comam e quebrem as árvores a uma taxa cinco a sete vezes maior que em áreas não invadidas.
“Mostramos que a propagação da formiga-de-cabeça-grande, um dos invasores mais difundidos e ecologicamente mais impactantes do mundo, desencadeou uma reação ecológica em cadeia que reduz o sucesso com que os leões podem caçar as suas presas primárias”, escreveram os pesquisadores.
Os cientistas acreditam que os leões mantiveram o seu número populacional matando mais búfalos africanos, que são maiores e mais difíceis de abater do que as zebras.
Noutras partes da África Oriental, são necessários grupos maiores de leões para matar búfalos, o que pode eventualmente levar a mudanças no tamanho e na composição dos bandos de leões no parque.
O estudo, que abrange pesquisas ao longo de três décadas, incluiu uma combinação de armadilhas fotográficas escondidas, leões com coleiras rastreados por satélites e modelagem estatística.

Fonte: Um Só Planeta

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