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A alternativa ao açaí que pode ajudar a preservar a mata atlântica

25/01/2024

A juçara foi durante muitos anos mais conhecida por seu palmito, macio e saboroso, do que por ser uma palmeira típica da mata atlântica.
Durante a ditadura militar, o governo chegou a estimular a instalação de indústrias —notadamente no Vale do Ribeira, na parte sul do estado de São Paulo— para sua exploração.
Muitos caiçaras —povo tradicional de áreas litorâneas de partes das regiões Sul e Sudeste do Brasil— se tornaram palmiteiros, aqueles que viviam da extração do palmito.
Com a ameaça de extinção da palmeira e a evolução da legislação ambiental, a partir dos anos 1980, os palmiteiros deixaram de ser incentivados e passaram a ser perseguidos por conta de crimes ambientais. A extração do palmito significa a morte da planta.
O impacto ambiental não termina aí. Como a juçara é uma importante fonte de alimento para os animais que vivem na floresta, áreas sem a árvore perdem também a diversidade de sua fauna.
Por isso, a sua preservação se tornou uma prioridade entre os defensores da mata atlântica. E uma alternativa pode estar ganhando força.
Morador do Vale do Ribeira, Gilberto Ota é um dos ativistas em defesa da juçara.
O Ota é de origem materna, e Gilberto conta que seu pai era caiçara da foz do rio Ribeira de Iguape. A decisão de se considerar palmiteiro é mais política.
"Ao reivindicar a profissão de palmiteiro, estamos dizendo que as gerações anteriores das famílias que hoje vivem da juçara não eram de criminosos", diz ele. "Eram pessoas que trabalhavam com o cultivo da palmeira de uma forma diferente da que fazemos hoje."
Quem visita a casa de Gilberto no Guapiruvu, bairro próximo a acesso de parques estaduais, em Sete Barras, logo percebe a relação dele com as palmeiras, seja pelo suco servido ou pelas plantações no entorno.
A conversa vai de temas de agroecologia, vida comunitária em torno da associação que dirige e as possibilidades econômicas da juçara.
O anfitrião só mostra alguma irritação quando é citado o "açaí de juçara". "A gente planta aqui a juçara, açaí é outra palmeira, lá da amazônia", explica.
A confusão tem sua razão de ser. No Sul e Sudeste do Brasil, o açaí é consumido na forma de um sorbet, um creme doce e gelado, muito diferente da forma tradicional de consumo na amazônia, em que ele faz parte de pratos salgados.
O creme se tornou tão popular no eixo Rio-São Paulo que açaí se tornou sinônimo da maneira como ele é preparado.
A juçara pode substituir o açaí nesta forma de alimento com a vantagem de ser colhido mais perto do mercado consumidor. São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Espírito Santo e Minas Gerais são os maiores produtores do fruto da mata atlântica.
Ao entrar neste mercado, a juçara não compete com o açaí, pelo menos na opinião da pesquisadora Virgínia da Matta, da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). "Na minha visão, os dois se apoiam, porque há mercado para a expansão da produção de ambos", afirma.
Para ela, além do crescimento do mercado nacional, existe uma crescente procura no exterior, onde existe um conhecimento cada vez maior da fruta e de seus benefícios.
Apesar de ter uma cadeia mais estruturada, que não depende apenas do extrativismo, a produção de açaí ainda é menor do que a demanda.
A junção dos nomes dos dois frutos está na marca da Juçaí, empresa que produz o sorbet de jussara, um projeto que foi desenvolvido em parceria com a Embrapa.

A matéria na íntegra pode ser lida na Folha de S. Paulo

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