UERJ UERJ Mapa do Portal Contatos
Menu
Home > Atualidades > Notícias
Ex-caçadores trabalham na proteção a peixes-boi e resgatam animais encalhados na Colômbia

23/01/2024

Quando os pescadores Álvaro Fabra e Enrique Rivas eram jovens, caçavam peixes-boi no rio Magdalena. Hoje, são guardiões dessa espécie e pedem ajuda pelo WhatsApp para salvá-la da extinção na Colômbia.
O espaço para que esses animais nadem está se estreitando devido às secas causadas pelas mudanças climáticas, à expansão da fronteira agrícola e à poluição no rio mais longo do país, que, ao longo de 1.540 km, conecta a região central ao Mar do Caribe.
Em uma área alagada em Barrancabermeja, no nordeste do país, Álvaro Fabra, 53, navega em busca de peixes-boi. Seu papel é crucial para monitorar o comportamento da espécie e auxiliar organizações ambientais no cálculo do número de indivíduos.
Embora possam atingir 3,5 metros e pesar até 600 quilos na idade adulta, a turbidez da água barrenta do local dificulta a visualização deles. Por essa mesma razão, o acompanhamento e cuidado tornaram-se desafiadores na Colômbia, que não possui dados claros sobre a população destes animais.
O pescador lembra que seus antepassados costumavam matar muitos peixes-boi em um dia. "Quando eu era muito jovem, meus avós, meu pai, eles os matavam. Matavam três ou quatro por dia", diz.
Mas eram outros tempos. Transformado em defensor da espécie, agora ele afirma que é preciso eliminar essa "cultura".
Mas, se a caça é parte do passado, novas ameaças fazem com que os peixes-boi fiquem encalhados quando o nível da água baixa. A ONG WCS Colômbia estima que, entre 2010 e 2023, ocorreram 40 incidentes de "encalhamento" de peixes-boi na região do Médio Magdalena, nos quais 31 deles morreram.
O mesmo ocorre em outras regiões próximas ao Caribe, onde esses herbívoros —que também estão presentes no Brasil, México, Panamá e Belize— desempenham um papel fundamental na prevenção da sedimentação.
A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) os incluiu na lista vermelha de espécies ameaçadas e estima que existam apenas 2.500 adultos no mundo.
Fora da água, os peixes-boi mal mostram a cabeça para se alimentar de vegetação, raramente deixando suas nadadeiras dianteiras visíveis. Mas quando os rios secam, eles ficam imóveis.
Especialistas apontam que no rio Magdalena eles são vítimas das mudanças climáticas que secam as áreas alagadas e da presença de plantações de palma de óleo nas proximidades, que requerem uma grande quantidade de água.
Um chamado de socorro no WhatsApp pode salvar a vida desses animais quando ficam paralisados. A "rede de encalhamentos" é um espaço onde a comunidade pode contribuir para a proteção da espécie, com o apoio da WCS, outras organizações, especialistas e pescadores.
Pesquisadores calculam que, em 2023, cerca de uma dezena deles morreu, em parte porque os moradores não tinham clareza sobre como agir.
"Foram encontrados mortos, feridos, doentes", lamenta María Antonia Espitia, coordenadora de vida selvagem na região do Magdalena Médio da WCS.
Ela descreve o peixe-boi como um animal "órfão", pois é "uma espécie que raramente é vista, difícil de encontrar".
Existem filhotes que perderam a mãe e tiveram que seguir em frente, e em centros de reabilitação, pode-se ver alguns sobrevivendo à base de alimentação via mamadeira.
"Que cuidem deles, porque é uma espécie que está caminhando para a extinção. Não são encontrados mais, há poucos lugares onde existem", implora Enrique Rivas, 50, que também foi pescador a vida inteira e se considera um guardião da espécie.
Os peixes-boi são essenciais para navegar pelo rio e encontrar peixes, ele afirma. "Eles protegem o rio, pois o canalizam. Onde há esses animais, o rio quase não seca", explica.
Nada é fácil para a espécie. Entre seus inimigos estão também a proliferação de búfalos em uma região de tradição pecuária e as mudanças no habitat devido a espécies invasoras —como os hipopótamos que pertenciam ao chefe do tráfico de drogas Pablo Escobar e se reproduzem descontroladamente no Magdalena desde a morte dele, em 1993.

Fonte: Folha de S. Paulo

Novidades

Caribe em Ipanema: descoberta de bancos de algas calcárias cor-de-rosa surpreende pesquisadores; veja

29/09/2026

Ipanema guarda uma prova de que o fundo dos oceanos é menos conhecido do que a superfície da Lua. Pe...

Eleições 2026: o clima entrou nos planos, mas não nas campanhas

29/09/2026

No dia 4 de outubro, mais de 158 milhões de brasileiras e brasileiros estarão aptos a escolher presi...

Caçadores de tempestades registram ´supercélula´ em Alegrete durante período de temporais no RS; VÍDEO

29/09/2026

Um grupo de caçadores de tempestades registrou uma supercélula na região de Alegrete, na Fronteira O...

Sob El Niño, primavera deve ter calor, seca e tempestades severas

29/09/2026

A primavera de 2026 chegou ao Hemisfério Sul na última terça-feira (22), às 21h05, com previsão de a...

VÍDEO: terremoto desperta vulcão ´adormecido´ há mais de 500 anos, mostra satélite da Nasa

29/09/2026

Um vídeo montado com imagens de satélite mostra, quadro a quadro, a lava tomando conta da cratera de...

Semana do Clima: é hora de encarar a necessidade de mudanças

29/09/2026

Os primeiros dias da Semana do Clima em Nova York deixaram uma impressão muito clara: já não basta c...