
16/01/2024
Os microplásticos podem ser encontrados em todas as partes do planeta.
Essas partículas minúsculas de material antropogênico já foram encontradas no gelo do Oceano Antártico, dentro do intestino de animais marinhos que habitam os locais mais profundos dos oceanos e na água potável de todo o mundo.
Agora, um novo estudo concluiu que a água engarrafada pode conter até 100 vezes mais pedaços minúsculos de plástico que o estimado anteriormente.
Um litro de água engarrafada contém, em média, quase 250 mil fragmentos de nanoplástico, segundo um estudo realizado por pesquisadores das universidades Columbia e Rutgers, nos Estados Unidos.
Os pesquisadores analisaram cinco amostras de três marcas comuns de água engarrafada. Eles descobriram que os níveis de nanoplástico variam de 110 mil a 400 mil fragmentos por litro. A média é de 240 mil fragmentos.
Os cientistas afirmam que grande parte do plástico parece vir da própria garrafa. E não se sabe se a ingestão de plástico representa riscos mais sérios à saúde.
Uma análise das evidências científicas disponíveis realizada pela Organização Mundial da Saúde em 2019 e 2020 concluiu que ainda havia muito poucas pesquisas para determinar se o consumo ou a inalação de microplásticos representa risco à saúde humana.
Mas a OMS alertou que os fragmentos menores —com menos de 10 micrômetros— provavelmente são absorvidos biologicamente. A organização também pediu a redução da poluição por plástico, para diminuir a exposição humana.
Mas é realmente possível evitar os microplásticos?
O plástico não é onipresente apenas na água. Ele também está disseminado nas terras agrícolas e pode chegar aos alimentos que consumimos.
Um estudo de 2022 demonstrou que lodo de esgoto, usado como fertilizante agrícola, contaminou quase 81 mil quilômetros quadrados de terras agrícolas nos Estados Unidos.
Esse lodo contém microplásticos e os compostos perfluoroalquila e polifluoroalquila (PFAS, na sigla em inglês), que também são conhecidos como "produtos químicos eternos".
Um estudo da Universidade de Cardiff, no Reino Unido, concluiu que 86 a 710 trilhões de partículas de microplásticos contaminam terras agrícolas na Europa todos os anos.
Isso significa que, podemos estar ingerindo involuntariamente minúsculos fragmentos de plástico em cada garfada da nossa alimentação. Mas algumas plantas parecem absorver os microplásticos mais do que outras.
Estudos parecem indicar, por exemplo, que o plástico tende a se acumular nas raízes das plantas. Isso significa que vegetais folhosos, como a alface, podem ter concentrações de plástico menores do que cenouras, nabos e rabanetes.
Embora os efeitos da ingestão de microplásticos à saúde ainda não tenham sido claramente determinados, já se descobriu que eles chegam até o fluxo sanguíneo humano.
A reportagem completa pode ser lida na Folha de S. Paulo
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